Aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) a 27 de Março de 1998, o Viagra veio alterar o modo como os homens encaram a sua sexualidade. Capaz de provocar erecções, este fármaco, com um grande sucesso nos Estados Unidos, chegou rapidamente a Portugal, em «Outubro do mesmo ano», e «teve um grande impacto principalmente nas mudanças culturais que provocou nos homens», sublinha Nuno Monteiro Pereira, urologista.


O princípio do Viagra

O sildenafil, o princípio activo do Viagra, «foi originalmente sintetizado e estudado para tratar a hipertensão e a angina de peito», revela o site history.com. 

«Devido ao grande volume de doentes que revelavam uma melhoria significativa das suas erecções após a toma deste medicamento, o mesmo foi retirado do mercado para ser estudado e investigado»,  conta Nuno Monteiro Pereira.

O urologista acrescenta que «os investigadores rapidamente perceberam qual era o mecanismo fisiológico da acção peniana e, quando reapareceu, anos depois, já havia uma indicação absolutamente oposta, que era para curar a disfunção eréctil».

O mito

Após as primeiras comercializações nos Estados Unidos, «houve a ideia de que havia uma relação causa-efeito entre o Viagra e a morte por ataque cardíaco», salienta o urologista. A realidade é bastante diferente, já que o que existe é uma incompatibildade com os nitratos, medicamentos que por vezes são prescritos aos doentes cardíacos.

Por si só, o Viagra não tem qualquer risco para o coração, podendo até melhorar a insuficiência coronária. Mas «a junção das duas moléculas (sildenafil e nitratos) faz baixar a tensão arterial de uma forma rápida e intensa e pode ser fatal. De facto, havia um fundo de verdade, mas porque não se tomavam as devidas precauções», acrescenta.

Como actua no organismo

«O pénis é o único órgão do corpo que, na sua fase de repouso, está em contracção. E para entrar sangue ele tem de relaxar. O que o medicamento faz é facilitar os mecanismos de relaxamento do pénis, para provocar a erecção», explica Nuno Monteiro Pereira.

O urologista refere-se ainda ao Viagra como um «medicamento único» pois, após a sua toma, o homem não sente qualquer efeito sobre a erecção peniana. Esse efeito só surge quando existe excitação sexual.

«No fundo, o medicamento só prepara o terreno peniano para que, quando houver excitação, se dê uma erecção de boa qualidade. Sem excitação não há efeito», sublinha.

Vantagens e desvantagens

Com uma elevada taxa de sucesso, «acima dos 70 ou 80%», este fármaco tem a vantagem de ser «muito fácil de administrar» e tem muito poucos efeitos secundários.

Contudo, «o Viagra falha num aspecto muito importante, o preço que ronda os 10 euros por comprimido, não sendo comparticipado pelo Estado. É um medicamento muito caro e grande parte da população masculina que sofre de disfunção eréctil não o pode pagar», afirma Nuno Monteiro Pereira.

Entre os seus efeitos secundários destacam-se as «cefaleias e, por vezes, algum mau estar gástrico». A grande contra-indicação é, como foi dito, «a administração juntamente com os nitratos, que obriga a grandes precauções, pois pode ser fatal», acrescenta o especialista.

O impacto psicológico e social

«Até ao aparecimento deste medicamento a disfunção eréctil era encarada com uma vergonha, mas a partir do momento em que foi divulgado passou a ser uma doença. E uma doença, trata-se», realça o urologista. Antigamente os utentes queixavam-se de problemas na próstata para contornar o verdadeiro problema da disfunção eréctil e, neste momento, sentam-se e dizem: “venho aqui porque tenho problemas de erecção e quero tratar-me”».

Assim, «mais do que uma melhoria da própria fisiologia e da própria função o Viagra trouxe, acima de tudo, uma mudança cultural», salienta Nuno Monteiro Pereira. Garantindo uma maior longevidade sexual masculina, o Viagra «é realmente muito eficaz nos homens cujo o único problema é o envelhecimento».

É certo que muitos homens tomam o medicamento apenas para melhorarem a sua performance sexual. De acordo com o urologista, «hoje em dia, atendendo à baixíssima taxa de efeitos acessórios e por não se tratar de um medicamento de risco, não há inconvenientes em receitar o Viagra por razões lúdicas, desde que o médico considere que o paciente tem as condições físicas, psicológicas, individuais e conjugais necessárias».

Os fármacos concorrentes

Cinco anos depois do lançamento do Viagra, surgiram novos fármacos para o tratamento da disfunção eréctil, o Levitra e o Cialis, «ambos da mesma família química mas com pequenas diferenças de acção, as suficientes para serem mais adequadas a certos pacientes e não a  outros», afirma Nuno Monteiro Pereira.

«Relativamente à potência farmacológica, o Levitra encontra-se em primeiro lugar, o Viagra em segundo e o Cialis em terceiro», indica o urologista. Contudo, Nuno Monteiro Pereira acrescenta que «potência farmacológica não é sinónimo de eficácia clínica», dando o exemplo do «Cialis que, sendo menos potente, pode surtir mais efeito pelo seu maior tempo de acção, particularmente em doentes com maior carga psicológica negativa».

Texto: Claúdia Vale da Silva com Nuno Monteiro Pereira, urologista da Clínica do Homem e da Mulher

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