A enxaqueca é uma doença crónica, que se caracteriza pelo aparecimento de crises de dores de cabeça e outros sintomas, com intervalos variáveis. Durante as crises, pela intensidade dos sintomas, a pessoa é muitas vezes obrigada a repousar no leito, ficando incapaz para exercer a sua atividade normal durante esse período.

Infelizmente, não existe cura para a enxaqueca. No entanto, dispomos já de tratamentos muito eficazes, que, embora não curando, permitem melhorar significativamente as queixas, o que resulta numa melhoria efetiva também da qualidade de vida daqueles que sofrem de enxaqueca. Estes tratamentos fazem toda a diferença na vida das pessoas com enxaqueca.

Todos aqueles que têm enxaqueca devem adotar uma série de medidas simples, que vão seguramente ajudar a controlar a sua enxaqueca: ter um estilo de vida saudável, uma alimentação cuidada e diversificada, praticar exercício físico, não fumar, ter uma boa hidratação e, claro, dormir o número de horas adequado à idade. Igualmente importante é evitar o stress, na medida do possível - a execução de técnicas de relaxamento poderão ajudar.

Quem sofre de enxaqueca deve tentar identificar e evitar, sempre que possível, os fatores desencadeantes das crises. Deste modo, poder-se-á evitar um número importante de crises (até 50%). Estes fatores variam de pessoa para pessoa e podem não estar presentes em todos. Os mais frequentes são o jejum prolongado, a menstruação, o stress e as perturbações do sono (quer dormir menos, quer dormir demais).

Existem algumas terapêuticas alternativas não farmacológicas, tais como técnicas de relaxamento, de retrocontrole biológico (biofeedback), técnicas cognitivo-comportamentais ou acupunctura, que poderão ter algum papel na terapêutica das crises, em casos particulares em que a ansiedade e stress estejam na sua origem. No entanto, o papel destas técnicas não está ainda completamente estabelecido, uma vez que não foi ainda devidamente demonstrada a eficácia de todas elas.

Em relação ao tratamento com medicamentos, existem duas opções. Iremos tratar a crise aguda quando ela surge, ou seja, utilizando medicação para aliviar os sintomas da crise quando ela já está instalada. Este tratamento deve ser sempre feito, exceto em crises muito ligeiras (o que não é habitual nas crises de Enxaqueca). O tratamento agudo destina-se a aliviar a dor e os outros sintomas associados e a encurtar a duração da crise e da incapacidade dela resultante. Para o tratamento agudo podemos utilizar analgésicos simples, como o paracetamol ou outros anti-inflamatórios, ou então triptanos, os medicamentos específicos para tratamento agudo da enxaqueca.

No caso das pessoas que sofrem de enxaqueca com mais frequência (mais do que 2-3 vezes ao mês), deve ser efetuado um tratamento preventivo, ou seja, um tratamento profilático para diminuir a frequência de aparecimento das crises, a intensidade com que elas surgem e a incapacidade dela resultante. Nesse caso, temos ao nosso dispor vários fármacos preventivos orais, que se têm utilizado ao longo dos anos, são fármacos eficazes, mas, todos eles foram desenvolvidos para outras indicações que não a enxaqueca, como por exemplo antiepiléticos ou anti hipertensores, pelo que se acompanham muitas vezes de efeitos secundários. Mais recentemente, com base na investigação científica sobre quais os mecanismos que estão implicados no desencadear de uma crise de enxaqueca, foram desenvolvidos novos medicamentos preventivos e biológicos, que são injetáveis e muito específicos, como os anticorpos monoclonais, que têm a vantagem de serem mais bem tolerados e de serem eficazes, mesmo em pessoas que não responderam aos tratamentos clássicos.  No caso da enxaqueca crónica, ou seja, aquela que ocorre em mais de 15 dias por mês, pode-se também utilizar como terapêutica preventiva a toxina botulínica, eficaz e igualmente bem tolerada.

Um artigo da médica Elsa Parreira, Neurologista e Presidente da Sociedade Portuguesa de Cefaleias (SPC).

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