Apesar de ser evitável em 90% dos casos, a diabetes afeta mais de um milhão de adultos em Portugal, mas metade desconhece ter a doença. O número foi divulgado no relatório Anual de 2013 do Observatório Nacional da Diabetes, que mostra que a prevalência da diabetes tem aumentado a par com o envelhecimento da população. Mas, sendo a idade um fator de risco para a diabetes tipo 2, a que correspondem 90 por cento dos casos, a doença está longe de ser uma consequência inevitável do envelhecimento.

O excesso de peso e a obesidade são os grandes culpados, fruto de hábitos alimentares desadequados e de um estilo de vida sedentário. Por isso, «combater a diabetes é igual a combater a obesidade», salientou Luís Medina, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, numa sessão de formação para jornalistas organizada no âmbito do Programa Nacional para a Diabetes. A Fundação Calouste Gulbenkian anunciou, nos últimos meses de 2014, o objetivo de travar o aumento da incidência da doença. Veja o que pode fazer para escapar a estas estatísticas.

Uma questão de açúcar

Insulina é a palavra-chave. Produzida pelo pâncreas, esta hormona é responsável por reduzir o açúcar do sangue e da urina, promovendo a sua absorção pelas células, que assim se alimentam. Tanto na diabetes tipo 1 como na tipo 2, este mecanismo está alterado, mas por motivos diferentes.

Enquanto em quem tem diabetes tipo 1 há uma destruição maciça das células produtoras de insulina que deixa de ser fabricada, a diabetes tipo 2 ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o organismo não consegue utilizá-la eficazmente devido ao desenvolvimento de um mecanismo de resistência (insulinorresistência).

«Torna-se necessária mais insulina para a mesma quantidade de glicose no sangue. Numa fase inicial, as pessoas podem apresentar valores mais elevados de insulina e valores de glicose no sangue normais mas, à medida que o tempo passa, o organismo vai tendo mais dificuldade em compensar este desequilíbrio e a insulina torna-se insuficiente para fazer a glicose entrar para as células, acumulando-se no sangue (hiperglicemia)», explica Luís Medina.

O estilo de vida

O risco de se vir a desenvolver a doença é superior em pessoas com antecedentes familiares em primeiro grau e a partir dos 45 anos. Mas o seu surgimento está sobretudo relacionado com a não adoção de um estilo de vida saudável. É o caso do excesso de peso e da obesidade visceral (perímetro da cintura igual ou superior a 80 centímetros para as mulheres e a 94 para os homens), que contribuem para a hipertensão arterial e o colesterol elevado, também eles, fatores de risco.

Por isso, a prevenção, que deve começar na infância, passa pela prática regular de atividade física e por uma alimentação equilibrada. «As recomendações alimentares para prevenir e controlar a diabetes são as mesmas que para a população em geral, seguir a Roda dos Alimentos», refere Joana Oliveira, dietista.

Veja na página seguinte: Os sinais de alarme a que deve estar atento

Sinais de alarme

Muitas vezes, o diagnóstico é feito anos depois da doença se instalar, devido ao surgimento de complicações ou através de valores anormais de glicose no sangue ou na urina. A doença é assintomática mas, «muitas vezes, há manifestações que não são valorizadas», refere Luís Medina. «As pessoas podem urinar muito ou ter um emagrecimento não explicado. A existência de candidíase vulvar ou do pénis, que dá prurido, pode ser um sinal indireto porque a urina vem rica em açúcar e os fungos alimentam-se de glicose», refere.

Nestes casos, procurar o médico é fulcral para evitar complicações, nomeadamente a nível vascular. «A glicose condiciona o surgimento de outras substâncias químicas que lesam os vasos sanguíneos. Os pequenos vasos da retina e do rim começam a sofrer, formando pequenos aneurismas e hemorragias», explica. Não é por acaso que a diabetes é a primeira causa de amputações e de cegueira.

Dieta antidiabetes:

- Faça refeições a cada três horas, comendo pouco de cada vez.

- Coma sopa e acompanhe sempre o prato com vegetais.

- Prefira peixe e carnes magras.

- Reduza os fritos e as gorduras saturadas e/ou hidrogenadas.

- Prefira o azeite a outras gorduras.

- Troque o sal por ervas aromáticas, especiarias e limão.

- Ingira diariamente algumas nozes ou amêndoas.

- Beba 1,5 litros de água por dia.

Texto: Rita Miguel com colaboração e revisão científica de Joana Oliveira (dietista na Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal) e Luís Medina (residente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia)

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