Como não somos especialistas, pedidos ajuda à plataforma gratuita de simulação de produtos financeiros ComparaJá.pt, que nos apresentou várias opções. Manter uma saúde oral intacta e em bom estado é meio caminho andado para melhorar a auto estima, para além de ser uma questão de saúde pública.

Se ao nível dos cuidados de saúde gerais Portugal se encontra bem posicionado face ao resto da União Europeia (UE) - somente 5,1% dos portugueses com mais de 16 anos relata ter necessidades de saúde não satisfeitas, conforme o estudo supracitado -, o mesmo não acontece com a saúde oral (onde o valor dispara para 18% quando a média europeia é de 7,9%).

O que poderá estar por detrás destes números? Muitas vezes, o maior obstáculo a uma higiene oral salutar encontra-se precisamente na questão financeira. Os tratamentos dentários são caros e o Serviço Nacional da Saúde (SNS) não é abrangente neste campo.

Quais as opções de financiamento que existem?

1. Cheque-dentista

Desde logo, é impossível não falar sobre o chamado cheque-dentista, criado pelo Ministério da Saúde ao abrigo do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNPSO). Este consiste na atribuição de cuidados dentários - que podem ser prestados em qualquer consultório ou clínica aderentes - a mulheres grávidas que sejam seguidas no SNS, beneficiários do complemento solidário para idosos utentes do SNS e crianças e jovens com idade inferior a 16 anos.

A partir de março deste ano, esta modalidade passou a abranger igualmente os jovens de 18 anos, crianças com necessidades especiais e utentes portadores de VIH que não fazem tratamentos há mais de dois anos. Cada cheque vale 35 euros, sendo que o número atribuições por ano é definido pelo Ministério da Saúde consoante a situação dos utentes (os grupos de alto risco podem receber dois cheques-diagnóstico anuais, por exemplo). O processo é sempre iniciado pelo médico de família. Ainda assim, esta possibilidade não abrange toda a população.

2. Para despesas mais elevadas

Recorrendo ao exemplo da família Figueiredo - em que a mãe teve de colocar quatro implantes, o filho mais velho realizou tratamentos a cáries e o pai teve de fazer uma extração de um dente do siso -, esta precisou de pagar, de uma só vez, cuidados dentários num total de 2.500 euros.

Não tendo acesso ao cheque-dentista e tratando-se de um gasto elevado, os Figueiredo recorreram diretamente ao seu dentista e obtiveram informações para financiamento junto do mesmo. É sempre útil sondar primeiro as condições do crédito através do consultório para depois compará-las com outras alternativas no mercado. Existem empréstimos destinados a despesas de saúde de emergência (e cujas taxas de juro e condições costumam ser apelativas), mas estes geralmente apenas financiam acima dos 5.000 euros. Para custos abaixo deste montante, existe a opção de crédito pessoal sem finalidade.

A tabela abaixo apresenta a oferta do mercado por parte de quatro instituições financeiras, para um empréstimo pessoal sem finalidade no valor de 2.500€, para um prazo de 24 meses, com um proponente de 46 anos:

Quero tratar os doentes, mas não tenho dinheiro. Como financiar cuidados dentários?

Para financiar os seus cuidados dentários, a família Figueiredo pode escolher uma prestação mensal que varia entre os 110 euros e os 127 euros, sendo que, todavia, o valor que se deve ter em consideração para o custo do crédito é o montante total imputado ao consumidor, que engloba todos os juros e encargos com o empréstimo mediante a Taxa Anual Efetiva Global (TAEG).

3. Para gastos mais reduzidos

Na tabela abaixo consta uma comparação de cartões de crédito por parte de três entidades emissoras. Para o valor de 2.500 euros a reembolsar durante 24 meses, se a família Figueiredo pagasse com cartão de crédito, acabaria por gastar, pelo menos, 200 euros a mais (equiparando apenas as soluções mais acessíveis) do que se financiasse os cuidados dentários com um crédito pessoal sem finalidade.

Quero tratar os doentes, mas não tenho dinheiro. Como financiar cuidados dentários?

Portanto, comparando o montante total de ambas as soluções (crédito pessoal e cartão), na realidade só compensaria esta última opção se os gastos da família no dentista fossem separados temporalmente, até porque haveria sempre a possibilidade de conseguirem pagar dentro do prazo em que não são cobrados juros.

Para valores mais elevados, o montante total do crédito fica mais caro com o cartão do que com um empréstimo.

Ainda no âmbito das opções de financiamento existem os seguros de saúde dentária, que geralmente incluem acesso a uma rede de dentistas com a possibilidade de realização de check-ups orais e tratamentos a um preço mais reduzido do que é cobrado normalmente.

Como escolher a melhor solução de financiamento?

A resposta de Sérgio Pereira, diretor-geral do ComparaJá.pt:

Em Portugal, os cuidados ao nível da Medicina Dentária são sobretudo prestados pelo setor privado, o que faz com que os custos sejam muito superiores relativamente aos tratamentos através do SNS. Este obstáculo financeiro acaba por ter de ser colmatado com recurso ao financiamento bancário.

Enquanto não houver uma resposta pública que permita satisfazer todas as necessidades na saúde oral, é essencial que os portugueses escolham as soluções financeiras mais adequadas à sua situação específica.

Neste sentido, é primordial que se comparem os diversos produtos existentes – seja o crédito pessoal sem finalidade, o crédito direcionado para despesas de saúde (mais usado nos casos em que os custos são elevadíssimos – como os de cirurgias de urgência que ascendem aos 10.000€, por exemplo) ou o cartão de crédito para gastos faseados – e que se façam escolhas que ajudem os consumidores a cuidarem da sua saúde oral sem arruinarem as suas finanças pessoais.

E nada como consultar o próprio dentista para abordar até a hipótese de solicitar um pagamento faseado dos tratamentos ou até um desconto.

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