Trata-se de uma doença inflamatória sistémica, que está disseminada por todo o organismo.

Esta doença genética e autoimune evolui por surtos, tendo períodos de exacerbação, normalmente coincidentes com fases de maior stress ou toma de algum tipo de medicação, que intercalam com períodos de acalmia. Não é contagiosa e é confundida muitas vezes com uma doença de pele.

Paulo Ferreira, dermatologista, sublinha que «a psoríase não é uma doença da pele, no entanto, é uma doença que se vê na pele». A sua origem não é totalmente conhecida, embora se saiba que «há uma interação entre a hereditariedade, as alterações imunitárias e os fatores desencadeantes do meio ambiente». Existem dois picos de incidência, por volta dos 20 e 30 anos e depois entre os 50 e 60 anos, no entanto a grande maioria dos casos ocorre aos 40 anos.

Como se manifesta?

Surgem lesões com relevo, vermelhidão, descamação e infiltração, que aparecem de uma forma geral em todo o corpo, mas são mais frequentes nos cotovelos, nos joelhos, nas costas e «em mais de 80% atinge o couro cabeludo». As unhas também são fortemente afetadas, com alterações que podem variar entre o quase impercetível e a sua destruição. Existe também uma «grande afetação das relações sociais, laborais e até familiares».

Como se diagnostica

O diagnóstico é clínico, pois é fácil detetar as lesões na pele, «que são quase exclusivas da psoríase». Depois, através das escalas que medem a gravidade da doença, procede-se à avaliação do impacto físico e psíquico e, por fim, é definida a estratégia terapêutica. Pode, em determinados casos, ser pedido o estudo metabólico do doente, bem como o estudo das articulações. As doenças autoimunes sistémicas e inflamatórias muitas vezes estão interligadas, nomeadamente a psoríase com algumas formas de artrite e até com patologias do foro gastrointestinal.

Como se trata

A psoríase pode ser ligeira, moderada ou grave, dependendo da extensão da pele que atinge.

A psoríase ligeira é tratada com cremes, pomadas e loções, na psoríase moderada associa-se a fototerapia e eventualmente as terapias sistémicas.

Nas psoríases graves, com grande impacto físico e
psicológico, recorre-se às terapêuticas sistémicas ou aos tratamentos
biológicos».

Segundo Paulo Ferreira, «os fármacos biotecnológicos, que
são uma autêntica revolução na Medicina, por serem uma terapêutica mais
específica, são mais eficazes e mais seguros a médio e longo prazo».

Como melhorar a qualidade de vida dos doentes

«A primeira atitude passa pelos próprios doentes», refere o dermatologista. «Não devem inibir-se nem ter qualquer constrangimento
em assumir a doença». Outros cuidados essenciais: manter a vigilância e o
controlo médico, ir a uma consulta de dermatologia pelo menos duas
vezes por ano, seguir uma dieta rigorosa e ser conhecedor dos fatores
desencadeantes de modo a prevenir possíveis crises.

Vítor Baião, presidente da PSOPortugal, sublinha ainda a importância da «sensibilização da opinião pública de modo a evitar o preconceito que gira em torno desta doença que não é contagiosa». Para saber mais, visite o site da PSOPortugal – Associação Portuguesa de Psoríase em www.psoportugal.com

Texto: Cláudia Vale da Silva com Paulo Ferreira (dermatologista) e Vítor Baião (presidente da PSOPortugal)

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