Parece um paradoxo mas o oxigénio, que é indispensável à vida, também desempenha um papel determinante no processo de envelhecimento. Na verdade, envelhecemos porque oxidamos.

Como explica o especialista Pedro Lôbo do Vale, «o oxigénio tem um papel fulcral para o metabolismo celular (capacidade das células produzirem energia)».

«No entanto, durante esse processo, formam-se átomos de oxigénio, os chamados radicais livres, que, por serem muito instáveis, têm tendência a associar-se rapidamente a outros átomos e, como consequência, as células dos diversos tecidos do nosso corpo podem ser danificadas», refere o especialista. A oxidação que ocorre naturalmente em todos os organismos vivos é, em si mesma, o envelhecimento. No entanto, a sua intensidade depende tanto da nossa herança genética como do nosso estilo de vida.

O inimigo a combater

De acordo com Pedro Lôbo do Vale, os radicais livres «são subprodutos do metabolismo celular que as células humanas produzem diariamente». São moléculas altamente instáveis que podem danificar as células saudáveis do nosso organismo, oxidando-as. Trata-se de um processo silencioso que ocorre sem darmos por isso.

«O que normalmente sentimos são as consequências da oxidação que, de um modo geral, são as alterações associadas ao processo natural de envelhecimento, estando também cientificamente comprovado que algumas das doenças mais incapacitantes ou mortais estão associadas à oxidação, como, por exemplo, o caso dos enfisemas, das retinopatias, dos AVC, de certas afecções reumáticas e até do cancro», explica Pedro Lôbo do Vale.

Estima-se que, em condições normais, 2 a 5% do oxigénio consumido
pelas células seja transformado em radicais livres que se associam a
outras células, oxidando-as e gerando o envelhecimento celular e, com
ele, as doenças.

Ainda assim, este inimigo não é gerado apenas de
forma natural pelo metabolismo.

Existem factores externos que induzem a
sua produção, factores esses que exigem cuidados de prevenção especiais para evitar essas mesmas doenças. São eles:

- Poluição

- Tabaco

- Stress

- Resíduos de pesticidas

- Exposição a radiações de raio-X, ultravioleta e electromagnéticas

- Outras substâncias tóxicas presentes em alimentos e bebidas

A origem da doença

Alguns factores, como o exercício físico exagerado, a ansiedade, o tabaco ou o alcoolismo podem gerar reacções não controladas de oxidação. Contudo, o organismo deve estar preparado para reagir a este processo, nomeadamente através de substâncias que neutralizam os radicais livres. Quando isso não acontece, gera-se um «desequilíbrio entre o nível de produção de radicais livres e a capacidade de defesa relativamente ao efeito tóxico dos mesmos que dá pelo nome de stress oxidativo», explica Pedro Lôbo do Vale.

O stress oxidativo não é uma doença mas é um processo que pode estimular o envelhecimento e o aparecimento de várias patologias. «Danifica as membranas celulares, debilita o sistema imunitário, podendo alterar o sistema hormonal, bem como favorecer o aparecimento e desenvolvimento de células cancerígenas». Calcula-se que entre 80 a 90% das doenças inflamatórias, respiratórias, oncológicas hepáticas e neurodegenerativas estão associadas ao stress oxidativo. Daí a importância de manter um estilo de vida saudável para se manter biologicamente jovem.

Os grandes aliados

Apesar do nosso
organismo produzir, por si só, células nocivas que potenciam o
envelhecimento, felizmente produz igualmente substâncias que as
neutralizam, os antioxidantes.

Estas substâncias (como é o caso
de algumas enzimas, como a catalase e o superóxido dismutase), no fundo,
funcionam como uma protecção das células porque, explica o
especialista, «tanto quebram a reacção em cadeia dos radicais livres
como também previnem que se formem outras moléculas».

«Ao nível da
prevenção, perturbam o processo de oxidação, evitando que os radicais
livres se cheguem a formar», sublinha este especialista. Contudo, quando ocorre um processo
de stress oxidativo, pode gerar-se um desequilíbrio entre as substâncias
tóxicas e os antioxidantes naturais do organismo.

Nestas
circunstâncias, é fundamental o recurso a antioxidantes de origem
externa, cuja maior fonte é a alimentação. E, «uma vez que os diversos
antioxidantes actuam de modos diferentes, é conveniente a ingestão de um
número variado destes agentes, de forma que o seu benefício seja
maximizado», recomenda Pedro Lôbo do Vale.

As principais substâncias com acção antioxidante são:

Vitaminas
Actuam interrompendo a reacção em cadeia de formação de radicais livres.

Minerais
Não são antioxidantes em si mesmos mas actuam como co-factores enzimáticos que potenciam a actividade antioxidante.

Polifenóis
São substâncias mais comuns em vegetais (e no seu sumo), responsáveis pela prevenção de um grande número de doenças.

De acordo com o especialista Pedro Lôbo do Vale, o processo de oxidação do organismo ocorre em 5 fases. Conheça as diferentes etapas da oxidação, clicando aqui.

Texto: Ana Catarina Alberto com Pedro Lôbo do Vale (médico de clínica geral, docente no mestrado de Nutrição, na Faculdade de Medicina de Lisboa)