Que tipos de cancro da próstata existem?

O cancro da próstata, por se originar nas glândulas prostáticas, denomina-se de adenocarcinoma da próstata. Os doentes são genericamente classificados em baixo, intermédio e alto risco, de acordo com 3 parâmetros: a análise sanguínea do PSA (antigénio específico da próstata), o estadiamento tumoral local (toque retal / ressonância magnética) e a diferenciação morfológica do tumor (Gleason score na biópsia prostática).

Os tumores da próstata são também classificados em tumores localizados (confinados à próstata), localmente avançados (atingimento extra-capsular, das vesículas seminais, outras estruturas vizinhas ou dos gânglios linfáticos) e metastizados (doença à distância). Geralmente os tumores localmente avançados e metastizados são de alto risco. Por esta razão, é obrigatória a realização do estadiamento clínico completo - TAC torácica, abdominal e pélvica e cintigrafia óssea (principal local de metastização são os ossos), nos tumores de risco intermédio e alto.

Os tumores de baixo risco (geralmente localizados) são os únicos que dispensam exames de estadiamento clínico completo. Pode até considerar-se não tratar estes tumores por, na generalidade, apresentarem um comportamento pouco agressivo, indolente. Importa referir, contudo, que em cerca de 25 a 30% das biópsias os tumores estão subavaliados. Ou seja, comparando as biópsias com a análise da peça operatória, nos doentes submetidos a cirurgia de prostatectomia radical, o parâmetro da diferenciação celular do tumor (Gleason score) aumenta. Mesmo assim, muitos destes doentes são propostos para vigilância ativa, que consiste, basicamente, na realização da análise do PSA de 3 em 3 meses e repetição da biópsia prostática anualmente.

Que tipo de tratamentos existem para o cancro da próstata?

O tratamento do cancro da próstata difere conforme o risco (baixo, intermédio, alto) e o estadiamento clínico (localizado, localmente avançado, metastizado) já descritos.

O tratamento com intenção curativa, pressupõe uma esperança média de vida igual ou superior a 10 anos. Assim, os doentes com tumores localizados, de baixo risco, são geralmente propostos para uma das seguintes opções: vigilância ativa, cirurgia (prostatectomia radical), radioterapia externa, ou braquiterapia (sementes radioactivas).

Os doentes com tumores localizados, de intermédio ou alto risco, são propostos para cirurgia (prostatectomia radical + excisão gânglios) ou radioterapia externa + bloqueio hormonal (6 meses a 3 anos).

Os doentes com tumores localmente avançados são propostos para cirurgia (prostatectomia radical + excisão gânglios) ou radioterapia externa + bloqueio hormonal (3 anos). O tratamento nestes casos, e na maior parte das vezes, é multimodal: cirurgia mais radioterapia externa e bloqueio hormonal.

No caso dos tumores acima referidos e por haver várias alternativas, o tratamento deverá ser sempre discutido com o doente, sendo deste a decisão final.

O tratamento da doença metastática é de maior consenso e implica o bloqueio hormonal clássico e de nova geração, quimioterapia e, eventualmente, radioterapia externa dirigida a lesões ósseas sintomáticas ou quando existem poucas lesões ósseas.

Que consequências podem ter os tratamentos do cancro da próstata?

A grande questão referente ao tratamento do cancro da próstata e, sobretudo, nos doentes com tumores localizados, prende-se com os resultados funcionais - continência urinária e função sexual. O objetivo principal do tratamento é, sempre, a cura oncológica. Os resultados oncológicos aos 10 anos são comparáveis, entre a prostatectomia radical e a radioterapia externa, ou seja, sobrevivências globais superiores a 90%. Os objetivos seguintes e igualmente primordiais são a preservação da continência e função sexual.

A técnica cirúrgica atual da prostatectomia radical atingiu um elevado nível de precisão, muito pelo apoio dos sistemas robotizados (cirurgia robótica). Os resultados funcionais são desta forma otimizados, atingindo-se valores de continência urinária entre os 89 e 100% e de potência sexual entre os 30 a 80%, ao final do primeiro ano, podendo haver recuperação até aos 2 anos após a cirurgia. Como fatores influenciadores destes resultados destaca-se: o estadiamento do tumor, o cirurgião, a idade do doente e o tempo de existência de outras patologias, nomeadamente, diabetes, hipertensão, obesidade e carga tabágica.

Os resultados funcionais da radioterapia externa e braquiterapia são, eventualmente, sobreponíveis, mas de instalação mais tardia. Os efeitos acessórios destes tratamentos de radiação, nomeadamente inflamação crónica da bexiga e do reto com hemorragias e aparecimento de tumores secundários, podem também ocorrer passado alguns anos.

Um artigo do médico Pedro Bargão Santos, Urologista no Hospital CUF Descobertas e Hospital CUF Infante Santo.

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