A área veterinária das emergências está em grande desenvolvimento e é prioritária, devido à sua transversalidade – é importante para qualquer animal, em qualquer idade.

Se não conseguirmos ter um serviço de emergência bem estruturado não conseguimos ter a janela de oportunidade necessária para tratar os animais. Por isso mesmo, o serviço de emergência ocupa uma grande parte da disponibilidade e interesse dos médicos para treino e formação. É importante estarem preparados para atuar, ao contrário do que acontece noutras áreas clínicas onde pode existir tempo para estudo, reflexão e, até mesmo, para contacto com outros colegas de forma a ter uma 2.ª opinião.

Nos serviços médicos de emergência não há tempo. A emergência em si mesma exige que os médicos veterinários estejam preparados para atuar em dois passos fundamentais:

  1. Na receção da emergência, têm de estar preparados para identificar o tipo de emergência que o animal está a ter e prever qual o tempo necessário para atuar. É aqui que entra a ponderação sobre qual o animal a atender primeiro, medicamente designada por triagem. Por exemplo, um animal que não urina 24 horas está perante uma urgência, mas não é tão imperativa como a de um animal que está em paragem cardiorrespiratória.
  2. Ter um sinal de chamada preparado para que toda a equipa médica ocorra às emergências. Para uma atuação eficaz precisamos de três elementos, nomeadamente, um que garanta o suporte cardiovascular, outro que garanta o suporte respiratório e ainda outro que trate da reposição de fluidos e da administração de medicamentos.

Uma emergência exige uma atuação imediata. A emergência mais exigente é a paragem cardiorrespiratória, que de entre as várias raças de animais de companhia costuma ser mais comum e crítica nos bulldogs. Esta situação é identificada pelo conjunto de três sintomas: ausência de estado de consciência, ausência de movimentos respiratórios e ausência de deteção de pulso num período de 10 segundos. Ao detetarmos estas três condições temos um diagnóstico de paragem cardiorrespiratória e é a janela de oportunidade para uma intervenção que salve a vida do animal (atuar em 15 minutos).

Se falamos em urgências, impõe-se a necessidade de partilhar os sintomas para os quais os donos devem estar atentos. Se verificar que o seu animal de companhia está com dificuldades respiratórias, desmaiou, tem fraqueza generalizada ou mucosas pálidas ou azuis, deve ir de imediato para um centro- veterinário.

Uma rápida intervenção é sinonimo de uma rápida recuperação. Quanto mais rápida a intervenção, menos danos a patologia causa ao organismo, melhores são os resultados e menor o tempo de recuperação do animal.

Tendo em conta a atualidade deste tema, a zona Norte de Portugal e a Galiza uniram-se na V Edição do Congresso VetNoroeste para discutir e treinar a resposta às urgências de um hospital veterinário. Um evento especializado, promovido pelo Hospital Veterinário Montenegro, em conjunto com o Colégio Oficial de Veterinários de Pontevedra e com a Sergave, que estimula a colaboração e intercâmbio de conhecimento entre os médicos veterinários. O objetivo deste evento é claro: aumentar a capacidade de resposta rápida e eficaz dos especialistas às urgências.

Por Luís Montenegro, Médico Veterinário e Diretor Clínico do Hospital Veterinário Montenegro

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