São poucas as pessoas que escapam aos problemas de visão.

Com maior ou menor gravidade, «afetam praticamente toda a gente depois dos 45 anos» e, para muitos, a cirurgia ocular é a melhor resposta.

Não há quem não tenha ouvido falar das operações a laser mas estará mesmo esclarecida sobre a matéria? Antes de responder, leia este artigo até ao fim.

Sabia que todos os anos são feitas 15 mil cirurgias refrativas em Portugal? Não lhe diz nada? São operações para tratamento de vícios de refração como miopia, hipermetropia ou astigmatismo. Segundo o oftalmologista Francisco Loureiro, deste número, 2500 correspondem a implantações de lentes intraoculares e 12500 a cirurgias com laser. Está desfeita a primeira dúvida. As cirurgias oculares não são todas iguais, nem se resumem ao laser.

A quem se destinam

Quem usa óculos ou lentes sabe bem a dependência e o desconforto que estes podem causar. São raras as pessoas com vícios de refração que não pensam em livrar-se destes auxiliares de visão para sempre. Mas será que todas podem ser operadas?

«Estão em condições de serem operadas as pessoas com graduação estabilizada e que não tenham patologias oculares graves, como cataratas, glaucoma ou retinopatia», responde o coordenador do grupo de cirurgia implantorefrativa da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, sublinhando que isto não se aplica a outros problemas de visão. Normalmente, a iniciativa para a operação é do doente, até porque os motivos estéticos encabeçam a lista de razões que leva as pessoas a procurar esta saída. Mas não é a única. «Se houver problemas com os óculos ou lentes de contacto,o médico pode sugerir a cirurgia», explica Francisco Loureiro.

Em que casos

Estas operações são efetuadas, por norma, na faixa etária que vai dos 25 aos 40 anos. «Antes dos 25 anos a graduação não é estável, e depois dos 45 não resolve todos os problemas, que começam a existir, nomeadamente os de acomodação para perto», justifica o oftalmologista, garantindo que após esta barreira etária «praticamente toda a gente é afetada por problemas de visão». «A cirurgia é recomendada quando o erro refrativo está estabilizado, o doente mostra vontade de ser operado e a avaliação oftalmológica o permite», acrescenta.

Que técnicas existem?

Ainda que as operações para tratar os vícios de refração sejam semelhantes, há  técnicas diferentes.

«Utiliza-se laser para baixas miopias (até cerca de 6 dioptrias,  podendo a avaliação oftalmológica colocar limites mais baixos) e, acima desses valores, lentes intraoculares», resume Francisco Loureiro.

Mas as especificidades não ficam por aqui.

«No laser existem as técnicas de superfície e as de profundidade», assume o responsável, acrescentando que «relativamente às lentes há três tipos», aplicadas consoante os casos.

Como se escolhe?

O especialista refere que apesar do tema suscitar muitas dúvidas, os doentes dispõem de cada vez mais informação. Ainda assim, há decisões que pertencem ao médico. «A técnica é escolhida mediante o tipo de graduação mas há outros fatores a ter em conta.

«O laser retira tecido à córnea, portanto, se a córnea for muito fina, por exemplo, esta técnica é desaconselhada, devendo optar-se pelas lentes intraoculares. Por outro lado, para colocar uma lente é necessário que o olho tenha espaço e uma contagem de células endoteliais elevada, caso tal não se verifique a lente pode ser igualmente desaconselhada».

Os riscos

Como qualquer ato cirúrgico, este procedimento também tem riscos. No caso do laser, para além da fragilização, «a córnea pode sofrer deformações no pós-operatório».

Para além disso, «pode também ocorrer uma opacificação do eixo visual e descentramento».

Já quando se tratam de lentes intraoculares, os  riscos variam com o tipo de lente.

Há, consoante as situações, perigos relacionados com a possibilidade de a lente tocar na córnea e esta perder transparência, causar hipertensão ocular no pós-operatório, catarata traumática e, muito raramente, casos de infeção. Apesar  de os riscos serem uma grande preocupação, poucos doentes desistem da   cirurgia. «A vontade de fazer a operação é grande e, geralmente, ultrapassa o  medo», confidencia o especialista.

Há também os casos de quem não está ciente dos perigos. «A imagem que a comunicação social passa destas operações é tão positiva, que alguns doentes pensam que não existem riscos», aponta.

Quanto custa?

Nos casos em que o fator económico é decisivo, é importante esclarecer que estas  cirurgias podem ser feitas através do Serviço Nacional de Saúde com um baixo custo. «Operações a laser são feitas no Instituto Gama Pinto, em Lisboa, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, no Hospital de Tomar e no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia», indica Francisco Loureiro, referindo que a «operação com lentes intraoculares está disponível em todos os hospitais com serviço de Oftalmologia».

No caso de operações no regime privado, «as operações com laser custam cerca de 1000 a 1500 por olho», revela. «O custo da colocação de lentes pode  chegar ao dobro do laser pela necessidade de bloco operatório, pelo custo elevado das lentes», acrescenta ainda o especialista.

A recuperação

No que toca à recuperação também é variável. «O laser de superfície (PRK) tem um período de recuperação de cerca de um mês, já o LASIK, laser de profundidade, tem uma recuperação mais rápida e, no dia a seguir à operação, o doente já vê a cerca de 80% e, ao final de oito semanas, a graduação estabiliza», prevê. Na cirurgia de colocação de lentes intraoculares, a recuperação é quase imediata. «Em dois/três dias a visão estabiliza», garante.

Como fazer?

Se acredita que está na altura de se despedir dos óculos e das lentes de contacto, só tem uma coisa a fazer. «Deve procurar o seu oftalmologista e fazer exames oftalmológicos completos, discutindo com o médico a melhor solução», aconselha o especialista.

«Há  casos em que não é possível fazer cirurgias refrativas», alerta. «Há 20 anos que este procedimento é feito em Portugal, existindo atualmente técnicas novas,  mais fáceis de aplicar e com menos riscos», tranquiliza.

Qual a melhor técnica?

Laser

Utiliza-se sobretudo para tratar baixas miopias (até cerca de 6 dioptrias). Pode recorrer a técnicas de superfície e de profundidade, a nível do estroma da córnea.

Lentes intraoculares

Podem ser de três tipos:

1. Lentes de suporte angular: são colocadas na câmara anterior no ângulo entre a córnea e a íris.

2. Lentes de suspensão iridiana: são enclavadas na íris;

3. Lentes de câmara posterior: são colocadas entre a íris e o cristalino. Podem corrigir entre 2/3 até 24/25 dioptrias negativas de miopia e, no caso da hipermetropia, até 10 dioptrias positivas, mas é preciso que exista espaço para as colocar, pois as pessoas com hipermetropia têm os olhos mais pequenos que as míopes. Nas graduações superiores utiliza-se uma técnica mista de laser mais lentes intraoculares.

Qual o seu problema de visão?

A miopia e a hipermetropia são problemas relacionados com a desproporcionalidade do comprimento axial e curvatura da superfície do globo ocular, causando um problema na formação da imagem sobre a retina. No caso da miopia, o comprimento do olho é maior que o normal, ou a curvatura da córnea muito acentuada, o que faz com que a imagem seja formada antes de chegar à retina, dificultando a focalização de objetos distantes. Na hipermetropia, ocorre o inverso, gerando dificuldade para focalizar sobretudo para perto. O astigmatismo está relacionado com irregularidades da superfície córnea, o que impede a focalização de todos os raios luminosos no mesmo plano, distorcendo a imagem.

Texto: Sandra Cardoso com Francisco Loureiro (coordenador do grupo de cirurgia implanto-refrativa da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia)

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