O útero é um órgão do sistema reprodutor feminino que está localizado na região pélvica, atrás e por cima da bexiga, adiante do recto, continuando-se inferiormente pela vagina.

Trata-se de um órgão com uma cavidade central, a cavidade uterina, que está revestida pelo endométrio. A parede uterina está formada em grande parte por uma camada muscular denominada de miométrio. O endométrio prolifera durante o ciclo menstrual e descama durante a menstruação, sendo exteriorizado através da cavidade uterina para a vagina e daí para o exterior. O endométrio e o miométrio estão separados por uma camada denominada de linha juncional ou zona de transição, uma vez que demarca a transição entre o endométrio e o miométrio. O útero tem diferente zonas, sendo que o fundo do útero é a mais superior, o colo do útero a mais inferior e o corpo do útero a maior, entre o fundo e o colo do útero. A cavidade uterina comunica com o interior das trompas ou tubas uterinas (trompas de Falópio) ao nível das extremidades laterais do fundo uterino.

Os miomas são tumores benignos que se desenvolvem na parede muscular do útero (miométrio). São tumores benignos que se desenvolvem desde o início da idade fértil após a primeira menstruação e que terminam com a menopausa. Isto porque são tumores que estão dependentes do estímulo hormonal da progesterona e estrogéneos para se desenvolverem e crescerem.

Os principais factores de risco para o desenvolvimento de miomas são a idade e a raça. São muito raros na adolescência, passando a ser cada vez mais frequentes até a mulher alcançar a menopausa. Ou seja, uma mulher entre os 40 e 50 anos tem uma probabilidade de vir a ser diagnosticada com miomas muito superior a uma mulher entre os 20 e 30 anos de idade. Frequentemente tratamos doentes entre os 30 anos e os 50 anos de idade.

As mulheres de etnia negra têm 2 a 3 vezes mais probabilidade de vir a desenvolver miomas e de terem mais queixas do que as mulheres de etnia branca. As mulheres que tenham estado grávidas têm menor probabilidade de desenvolver miomas, uma vez que a a gravidez tem sido associada a uma redução nas dimensões dos miomas.

Dieta rica em carnes vermelhas, ingestão de álcool, dieta pobre em legumes e deficiência de Vitamina D tem sido associada ao desenvolvimento de miomas. Dieta com ingestão de 4 ou mais porções de lacticíneos diariamente está associada a uma menor probabilidade de vir a ter miomas.  Os miomas sintomáticos (com queixas) ocorrem em aproximadamente 25%-50% das mulheres em idade fértil.

De acordo com a localização dos fibromiomas dentro do útero, classificam-se em:

Fibromiomas sub-serosos – desenvolvem-se na porção externa da parede do útero e crescem para fora.

Fibromiomas intra-murais – os mais frequentes que se desenvolvem na parede uterina, no miométrio.

Fibromiomas sub-mucosos – são os menos frequentes, desenvolvem-se na superfície interna das paredes da cavidade uterina, no endométrio, crescendo para o interior da cavidade uterina.

Quando os miomas são muitos, denomina-se de fibromiomatose. Os miomas podem não dar sintomas e ser apenas detectados em exames de rotina. Contudo podem levar a sintomas como:

  • Períodos menstruais prolongados por vezes mesmo com hemorragias que podem conduzir à anemia,
  • Dor na região pélvica e/ou na região lombar,
  • Dor durante as relações sexuais,
  • Sensação de peso e aumento de volume do abdómen,
  • Obstipação,
  • Frequente necessidade ou dificuldade em urinar,
  • Dificuldade em engravidar,
  • Abortos de repetição.

Quando sintomáticos, os miomas devem ser tratados. O primeiro passo é o tratamento médico que passa geralmente por anti-inflamatórios, medicamentos à base de hormonas, pílulas contraceptivas ou dispositivos intra-uterinos. Muitas vezes o efeito é temporário verificando-se, após a sua interrupção aumento de dimensões dos miomas e das hemorragias ou outras queixas. Desta forma, frequentemente é necessário um tratamento mais invasivo.

Até há alguns anos atrás, a única opção de tratamento era cirúrgica, removendo por cirurgia os miomas (miomectomia) ou o útero todo (histerectomia). A embolização uterina foi desenvolvida como uma técnica minimamente invasiva, como alternativa à cirurgia, para poder tratar os fibromiomas, de forma menos dolorosa, com recuperação mais rápida e preservando o útero.

A miomectomia - consiste na remoção de cada um dos fibromiomas. Poderá não ser o ideal se os fibromiomas forem numerosos ou de grandes dimensões. Nestas situações, a embolização é a única alternativa à histerectomia, ou seja, a remoção da totalidade do útero. Elimina definitivamente os fibromiomas, mas tanto a estadia hospitalar como o período de convalescença são longos. E, claro a histerectomia elimina a possibilidade de uma posterior gravidez.

A embolização uterina para tratar os miomas foi iniciada em Paris, em 1995, por um grupo multidisciplinar de radiologistas de intervenção e ginecologistas que tinham experiência em embolização uterina para controlar a hemorragia após o parto. Experimentaram utilizar a mesma técnica para tratar electivamente mulheres com miomas, com muitas queixas de hemorragia uterina.

Em 1999 começamos a implementar esta técnica em Portugal, onde fomos pioneiros. Somos o grupo a nível nacional com maior experiência em embolização uterina e temos das maiores casuístas publicadas a demonstrar a segurança e eficácia da embolização uterina para os miomas e das potencialidade em engravidar após este tratamento numa escala mundial. Trata-se de um tratamento não invasivo, guiado por imagem, realizado por radiologistas de intervenção.

É realizado sob anestesia local, sem necessidade de bisturi, nem de incisão cirúrgica na pele. Apenas é introduzido um pequeno tubo de plástico (catéter) numa artéria da virilha ou punho que guiamos por imagem até ao útero. No útero realizamos a embolização, ou seja, a obstrução das artérias que nutrem os miomas. Trata-se de um tratamento muito simples e seguro, feito sem dor, em 30-60 minutos. As doentes entram de manhã e têm alta ao fim do dia, podendo retomar toda a vida normal e voltar ao trabalho após 3 a 5 dias.

Trata-se de uma alternativa à cirurgia muito útil pois as mulheres têm menos dores e a recuperação é muito mais rápida. Os riscos de complicações graves é inferior e a taxa de sucesso no tratamento das queixas é superior a 90%, próximo do da cirurgia. Além disso, não são realizadas incisões ou cortes na pele, não é necessário o bisturi e não temos de "abrir" a barriga para remover o útero ou os miomas. Não é preciso anestesia geral e não há perdas de sangue com o tratamento. Acima de tudo, com a embolização, a mulher pode preservar o útero, sendo poupada a tratamentos mais invasivos com potencial para mais complicações e mais graves.

Desta forma, mulheres que queiram preservar o útero ou mulheres que queiram engravidar e que a cirurgia possível seja apenas a remoção de todo o útero (histerectomia), a embolização deverá ser fortemente considerada. Apesar de todas estas vantagens da embolização uterina relativamente à cirurgia, menos de 7% das mulheres com miomas têm acesso à embolização uterina. Isto deve-se ao facto de haver pouca informação e divulgação desta técnica em geral e porque, mesmo dentro da comunidade médica, muitas mulheres não têm acesso a uma consulta de radiologia de intervenção para avaliarem as hipóteses de poderem ser embolizadas em vez de serem operadas.

Se quiser saber mais sobre fibromiomas uterinos, adenomiose, tratamentos preservadores de fertilidade e da função sexual e embolização uterina consulte https://tiagobilhim.pt/.

Um artigo do médico Tiago Bilhim, radiologista de intervenção no Hospital St. Louis.

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