Os sintomas venosos incluem a sensação de pernas pesadas, inchadas e/ou cansadas, formigueiro, dor, ardor e cãibras. Agravam-se frequentemente ao longo do dia ou pelo calor e são aliviados com a elevação e/ou descanso dos membros. Sinais de doença venosa – manifestações visíveis de alterações venosas - incluem telangiectasias, varizes reticulares, varizes tronculares, edema, alterações tróficas e/ou úlcera venosa.

Dos primeiros sintomas às complicações

Alguns doentes na fase inicial da doença venosa crónica apresentam queixas, mas ainda sem sinais visíveis. Estes pacientes devem ser tratados para melhoria da sintomatologia e para prevenir a progressão da doença venosa.

Telangiectasias (conhecidos por “raios” ou “aranhas vasculares”) e as varizes reticulares fazem parte dos primeiros sinais. As telangiectasias ou varizes telangiectásicas, resultam de confluência de vénulas intradérmicas dilatadas, com menos de 1 mm de diâmetro. As varizes reticulares são veias subdérmicas azuladas e dilatadas, geralmente tortuosas com 1 a 3 mm de diâmetro.

A manifestação clínica mais conhecida da doença venosa são as varizes tronculares (veias dilatadas e tortuosas com diâmetro superior a 3 mm), que afetam cerca de 40% das mulheres Portuguesas mas que também podem ocorrer nos homens.

A doença venosa crónica, tal como o seu nome indica, é uma patologia com caráter evolutivo que, quando não diagnosticada e tratada atempadamente, poderá originar complicações sérias, com limitações claras para o indivíduo e com reais consequências para a sociedade. A doença venosa pode causar alterações na estrutura da pele, como eczema e lipodermatosclerose. A pele perde elasticidade, fica acastanhada e descamativa. Nas fases mais avançadas surge a úlcera venosa- uma ferida na perna causada pela DVC, muitas vezes dolorosa e que exige cuidados de penso regulares.

Adicionalmente à evolução previsivelmente gravosa da DVC, as varizes podem associar-se às seguintes complicações: trombose venosa superficial (poderá, em algumas circunstâncias, evoluir para trombose venosa profunda, que pode, por sua vez, originar uma embolia pulmonar) e varicorragia. A trombose venosa superficial, também denominada por “flebite”, consiste na formação de um coágulo dentro da veia. A veia fica dura, vermelha e causa dor. A varicorragia, consiste em hemorragia ou sangramento devido à fragilidade da variz.

Diagnóstico

É uma doença de fácil diagnóstico. Este é feito através das queixas do doente (história clínica), observando para as pernas do paciente (exame objetivo) e, eventualmente, através de um exame complementar de diagnóstico, o eco-Doppler. O eco-Doppler é uma ecografia que permite estudar a função e a morfologia das veias.

Tratamento

A doença deve ser tratada desde as suas fases iniciais. Atualmente, existem várias opções terapêuticas. O tratamento é adaptado à fase da doença e ao doente.  É um tratamento personalizado. Alguns pacientes são tratados com medicação para a parede das veias e meia elástica. Outros fazem tratamento com escleroterapia líquida, espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia minimamente invasiva. O médico decide qual é a melhor opção para cada doente. Na maioria das vezes, o doente precisa de uma combinação de tratamentos.

Um artigo da médica Joana Ferreira, especialista em Cirurgia Vascular e membro da Sociedade portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular.

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