O diagnóstico pode ser feito através da história clínica, de exames físicos e de métodos de biologia molecular. O rastreio da sequela mais importante (o cancro do colo do útero) é feito por rotina através do Papanicolau, recolha citológica de células do colo do útero, que embora não detete a presença do vírus, permite reconhecer as alterações que ele causa nas células.

A colposcopia (exame da vagina e do colo uterino com o auxilio do colposcópio) e peniscopia (exame do pénis com o auxilio do colposcópio) são técnicas que permitem a pesquisa de condilomas nas mucosas, que constituem um sinal claro da infeção por HPV.

A biopsia é uma colheita de um fragmento suspeito do colo do útero, utilizada para a observação e caracterização das alterações celulares através da análise microscópica de uma amostra, e é efetuada em situações concretas, nomeadamente como resultado de uma citologia e colposcopia positivas.

O teste para o despiste do HPV foi introduzido no diagnóstico deste tipo de infeções e foram desenvolvidas técnicas de biologia molecular (como o teste de captura híbrida e os testes de genotipagem e mRNA E6/E7, por PCR) que permitem a deteção de DNA viral em fragmentos de biópsia ou escovado cervical, e possuem ainda elevada especificidade e sensibilidade.

Em relação ao teste de captura híbrida, o mesmo permite fazer o despiste inicial dos genótipos de alto risco (habitualmente em paralelo com citologia se a idade for superior a 30 anos) tendo uma sensibilidade clínica de 94%. O teste de genotipagem permite um caraterização individual dos genótipos, estando o teste do mRNA E6/E7 reservado para a detecção da persistência e replicação do DNA Viral, enquanto marcador da instabilidade cromossómica e marcador de transformação oncogénica.

As técnicas indicadas, são, até ao momento, a única forma de diagnosticar inequivocamente o HPV.

Como prevenir o HPV?

Existem estirpes cutâneas e estirpes genitais, ambas com modos de prevenção diferenciados, como tal em relação às estirpes cutâneas, o HPV pode resistir durante períodos prolongados em várias superfícies devido à cápside proteica, que não é mais do que o material envoltório dos vírus, um invólucro protetor constituído de proteínas, que protege e facilita sua proliferação.

Alguns cuidados podem evitar a infeção como a proteção dos pés com calçado apropriado em balneários públicos, evitar o contacto com a superfície de sanitários de uso público, e outras superfícies com baixo nível de higienização e o tratamento das verrugas, para evitar que o vírus seja transportado acidentalmente para zonas de pele sadia e cause um novo foco.

No que concerne às estirpes genitais, têm como principal via de contágio o contacto sexual, nesse sentido existem dois fatores essenciais para a sua prevenção como o de evitar comportamentos sexuais de risco, nomeadamente através do uso de preservativo com parceiros ocasionais, com a vantagem acrescida de proteger contra outras DSTs (doenças sexualmente transmissíveis).

De acordo com alguns autores, a aplicação de microbicidas tópicos antes da relação sexual, também parece prevenir a infeção por HPV e a toma da Vacina contra o HPV, uma vez que estão já disponíveis no mercado vacinas para algumas das estirpes de HPV implicadas na génese do cancro do colo do útero e dos condilomas acuminados, que são capazes de evitar a infeção.

É de notar, contudo, que não são eficazes caso a doença tenha sido adquirida antes da administração da vacina, e que apenas protegem contra a infeção por determinadas estirpes e não de todas, pelo que a realização de rastreios regulares continua a ser indispensável. Indivíduos infetados com um tipo de HPV podem ainda beneficiar do efeito protetor da vacina contra a infeção pelos outros subtipos que esta cobre.

Num próximo artigo abordamos quais os comportamentos a realçar para uma correta prevenção do HPV e a forma como este é tratado.

Por Germano de Sousa, Médico Especialista em Patologia Clínica

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