A cirurgia à mama poderá ser, nalguns casos, muito mutiladora da imagem corporal. Ninguém poderá negar o impacto que a mesma pode ter sobre a pessoa em causa. Contudo, a maneira como cada um interpreta, assimila e assume essa mesma alteração da sua imagem é suficientemente dispare.

Atualmente a cirurgia da mama assenta em dois pilares, o tratamento correto da patologia em causa e a obtenção do melhor resultado cosmético. Será na proposta de uma mastectomia que se poderá infligir a maior mutilação e em que as técnicas de reconstrução serão as mais elaboradas.

O desejo de uma reconstrução face à indicação de uma mastectomia não é uma questão linear. E não o é, pois depende da importância que a imagem corporal tem para a pessoa em causa. Há pacientes em que a decisão é imediata, quero fazer ou não a reconstrução. Há, contudo, outras em que a hesitação é muito grande pois balançam entre razões pessoais, familiares e sociais. A única razão tem de ser simplesmente pessoal.

Quando a decisão não é fácil recomendo às doentes que, em casa, tenham uns momentos para si próprias e que, ficando nuas em frente a um espelho alto, discutam o assunto com a mulher do outro lado.

Técnicas de uma mastectomia são variadas

A resposta, qualquer ela que seja, surge com alguma facilidade. As técnicas de uma mastectomia são variadas. Elas dependem sobretudo do tipo e da extensão da doença em causa. Procuramos, ao realizar uma mastectomia, preservar o máximo da pele da mama pois isso facilitará a técnica da sua reconstrução. No extremo, conseguimos preservar toda a pele assim como o complexo aréolo-mamilar.

As técnicas de reconstrução são variadas utilizando recursos diversos. Poderão também ser realizadas, basicamente, num único tempo cirúrgico ou em mais do que um. A indicação para as diferentes técnicas tem a ver com cirurgia de tratamento realizada, com o volume da mama, com o biótipo da paciente, com eventuais outras patologias que a paciente possa sofrer e, no caso de haver várias opções, com a escolha pessoal.

Na grande maioria dos casos as técnicas reconstrutivas são realizadas num só tempo, ou seja aquando da mastectomia, envolvem a utilização de tecidos da própria paciente os quais são mobilizados repondo, de imediato, o volume mamário. Seria um exemplo a utilização de tecidos em excesso da parede abdominal, o vulgar “pneu”. Algumas vezes, quando o tecido da doente não é suficiente poder-se-á utilizar, concomitantemente, uma pequena prótese.

Quando, porque a paciente é magra, é fumadora, é diabética entre outras razões, não é possível utilizar-se uma técnica mobilizadora de tecidos próprios utiliza-se uma técnica em dois tempos. O primeiro tempo da reconstrução é realizado na mesma altura da mastectomia.

Nessa altura é colocado um expansor. Um expansor é uma espécie de saco com uma válvula que vai sendo preenchido com soro. Este aumento de volume progressivo vai obrigar os tecidos a crescer, tal como o crescimento da barriga de uma grávida. Quando o volume obtido é o adequado poder-se-á proceder ao segundo tempo. Nesta altura é substituído o expansor por uma prótese e são feitos pequenos acertos julgados necessários.

Tanto nas técnicas de reconstrução imediata como nas de reconstrução em dois tempos poderá haver necessidade de se intervir na mama contra-lateral para que ambas fiquem semelhantes. Em ambas as técnicas a reconstrução do complexo aréolo-mamilar é realizado algum tempo depois da colocação do tecido próprio ou da prótese. Convém que estes adquiram a sua posição definitiva, para que o complexo aréolo-mamilar possa ser reconstruído em alinhamento com o contra-lateral. Esta reconstrução pode ser efetuada utilizando pele da paciente para a reconstrução total ou utilizando pele na reconstrução do mamilo e tatuando a aréola.

Quando a cirurgia a efetuar preserva a mama, chamada cirurgia conservadora, poderá ser necessário, também aqui, utilizarmos técnicas que preservem o aspeto cosmético da mama operada. Estas técnicas poderão ir desde pequenas mobilizações do tecido da mama operada à utilização de tecidos próprios da paciente para colmatar alguns defeitos de volume.

Poderemos ter que utilizar técnicas de maior mobilização de tecidos da mama operada fazendo com que, nestes casos seja necessário intervir sobre a outra para simetrizar. Todos estes processos passam, obrigatoriamente, por uma conversa muito franca e esclarecedora entre a paciente e a equipa cirúrgica que a vai tratar, para que os objetivos terapêuticos e reconstrutivos a todos satisfaçam.

Para discutir estes temas em profundidade junte-se aos Encontros sobre os “Desafios da Mulher jovem com cancro da mama” promovidos pela Unidade da Mama da CUF. Saiba as datas dos encontros aqui.

Um artigo do médico Luís Mestre, cirurgião e coordenador da Unidade da Mama no Hospital CUF Infante Santo.

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