A grande maioria dos alimentos processados têm os ditos E nas suas listas de ingredientes. Mas afinal o que significam? Serão prejudiciais para a saúde ou, como tantos outros ingredientes, o seu efeito nefasto depende da quantidade ingerida? Os aditivos alimentares são substâncias adicionadas aos géneros alimentícios processados, com a finalidade de ajudar na sua conservação ou na sua qualidade sensorial.

De modo a uniformizar as normas da indústria alimentar dentro do espaço da Comunidade Económica Europeia, surgiu a necessidade de se identificar todos os aditivos alimentares autorizados e seguros para a saúde humana. Assim, todas estas substâncias são representadas pela letra E seguida de 3 a 4 algarismos. Segundo a legislação, os rótulos devem descrever os aditivos que se encontram nos alimentos.

Os aditivos são apresentados por grupos, dependendo da função que desempenham nos alimentos. Regra geral, as listas encontram-se pela seguinte ordem:

- Corantes: Primeira centena (E100 – E180)

- Conservantes: Segunda centena (E200 - E285)

- Antioxidantes: Terceira centena (E300 – E334)

- Emulsionantes, estabilizadores, espessantes e gelificantes: Quarta centena (E400 – E495)

- Outros: Ácidos, reguladores de acidez, agente antiaglomerante, antiespuma, de volume, de transporte (incluindo solventes de transporte), sais de fusão (dispersantes de proteínas, endurecedores, intensificadores do gosto e do aroma, espumantes), dispersantes de gases em alimentos líquidos ou sólidos, agentes de brilho e proteção superficial, humidificantes, amidos modificados, gases de embalagem, propulsores, levedantes químicos, sequestrantes ou complexantes de metais.

Existem, contudo, várias exceções nesta classificação. Estas listas não são estanques e alguns aditivos podem ser adicionados ou eliminados. Mesmo depois dos rigorosos estudos toxicológicos que levam à aprovação dos aditivos, estes são reavaliados sempre que surge alguma suspeita sobre a sua inocuidade. Mesmo não havendo suspeita, estas listas são reavaliadas e a próxima reavaliação está prevista para 2020.

Os aditivos alimentares são prejudiciais para a saúde?

Todas as substâncias que constam nas listas de aditivos foram aprovadas e reguladas. A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica disponibiliza no seu site a lista de todos os aditivos e a respetiva legislação. Assim, uma substância só é adicionada a um alimento depois desta ser autorizada pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), pelo Comité Científico da Alimentação Humana da União europeia e pelo Comité Misto de peritos em Aditivos Alimentares da FAO/OMS.

Em resposta concreta à segunda questão colocada, os aditivos alimentares não são prejudiciais para a saúde, até que se prove o contrário. Mas, atenção, que a legislação define a quantidade máxima de cada aditivo, não garantindo a inocuidade do aditivo quando ultrapassada esta quantidade. No entanto, os rótulos dos géneros alimentícios não informam qual a quantidade de cada aditivo, tornando assim muito difícil o controlo da quantidade ingerida.

De modo a ter a certeza que não consome além da quantidade segura para a saúde, o melhor conselho é ter uma alimentação variada e preferir alimentos não processados. Por exemplo, opte por fruta em vez dos sumos de fruta ou em vez das refeições pré-feitas, opte por confecionar as suas próprias refeições.

Texto: Margarida Maria Eustáquio (nutricionista no clube Holmes Place Amoreiras em Lisboa)

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