Os dados são da 7.ª edição do Barómetro da Saúde Oral 2022, hoje divulgado, que revelam também que 65,2% das crianças até aos seis anos nunca foram ao dentista, uma percentagem que reduziu face a 2021 (73,4%) e que inverteu a tendência que se verificava desde o barómetro de 2016.

Segundo o estudo da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), 51,8% dos menores utilizam o cheque dentista quando recorrem a uma consulta, menos 8,5 pontos percentuais relativamente a 2021.

A redução nota-se sobretudo junto das crianças com idades entre os 10 e os 15 anos, refere o estudo, assinalando que ainda existe “uma fatia considerável” da população que não conhece o cheque dentista.

Para o bastonário da OMD, Miguel Pavão, estes dados “não favorecem” o programa: “Nós já tínhamos noção do desinteresse que o cheque dentista tem causado e que tem vindo paulatinamente a crescer”, comentou em declarações à agência Lusa.

No seu entender, deve ser encetado “um processo de reforma” do cheque dentista, para dar um novo impulso ao programa.

“O programa tem 12 anos e nunca foi melhorado e, nesse sentido, o novo ministro da Saúde - que foi também um dos criadores do cheque dentista -, está, diria, disponível para pegar nesta matéria, porque até à data os seus antecessores não o fizeram”, disse.

O Barómetro da Saúde Oral, que envolveu 1.102 entrevistas a maiores de 15 anos, apresenta também dados relativamente à dentição dos portugueses, que “não apresentam diferenças significativas” face às edições anteriores.

De acordo com o estudo, apenas 32,3% dos portugueses têm a dentição completa e 28,5% tem falta de seis ou mais dentes, excetuando os do siso, o que representa uma “ligeira melhoria [1 p.p.] face a 2021, mantendo a tendência positiva verificada desde 2018.

Entre os portugueses que têm falta de seis ou mais dentes, 18,9% não têm substitutos, um valor que melhorou num curto espaço de tempo: em 2017 atingia os 36,6%. Há ainda 6.4% que tem falta dos dentes todos, um valor que melhorou comparativamente a 2021 (8.7%).

Relativamente aos hábitos de higiene oral dos portugueses, o estudo conclui que melhorou o nível do hábito de usar fio dentário e elixir, mas reduziu mais uma vez a percentagem de portugueses que escova os dentes pelo menos duas vezes ao dia.

Analisando os dados, Miguel Pavão afirmou que “a melhor notícia” é que não houve um agravamento da situação: “Isso é um fator importante até porque houve um período pandémico que levou a um distanciamento da população dos consultórios médicos dentários”.

Mas, considerou, a pandemia demonstrou à população que a promoção da saúde e os cuidados de rotina da saúde são essenciais.

“Acho que o barómetro reflete exatamente isso porque as melhorias não são significativas, mas são pelo menos ligeiras melhorias e isso é um sinal animador para a população e para a saúde oral dos portugueses”, disse Miguel Pavão.

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