O alerta da APDP surge a propósito do Dia Mundial da Diabetes (14 de novembro) que vai ser assinalado este ano com a campanha de sensibilização “Diabetes: Proteja a sua família”, promovida pela Internacional Diabetes Federation.

“Portugal é o país da União Europeia que tem mais pessoas com diabetes”, advertiu o presidente da APDP, José Manuel Boavida, para quem é “urgente mudar este paradigma”.

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Os dados apontam “um quadro muito negro, de um peso enorme, com mais de um milhão de pessoas com diabetes e cerca de dois milhões de pessoas em risco de ter diabetes”, disse o endocrinologista à agência Lusa.

No total, são três milhões de pessoas com diabetes ou pré-diabetes, o que representa 40% da população portuguesa, números que considera “absolutamente esmagadores”.

Neste momento, “a diabetes é considerada a quarta causa de morte por si própria”, mas a doença está “subestimada na sua importância” porque ela “duplica ou triplica” a mortalidade nas pessoas com cancro, com doença respiratória e doenças cardiovasculares.

Por esta razão, José Manuel Boavida defendeu que a diabetes deve ser assumida como “um risco para a saúde pública” e “não como uma doença com a qual já se lida facilmente” e que já permite uma boa qualidade de vida.

“As pessoas com diabetes necessitam de um acompanhamento cada vez mais rigoroso e principalmente necessitamos de um diagnóstico precoce da diabetes (…) e das suas complicações a fim de minorar os seus impactos seja na mortalidade, nas amputações, na cegueira, nas insuficiências renais”, salientou.

O presidente da APDP salientou que mais de metade dos casos de diabetes tipo 2 são possíveis de prevenir com “hábitos simples” que começam em casa, como uma alimentação saudável, a prática de exercício físico e um ambiente familiar saudável.

“A campanha internacional é um alerta para recordar que as famílias têm um papel ativo a desempenhar na prevenção e gestão da diabetes e que os profissionais de saúde devem ter acesso a informação e ferramentas para ajudar os doentes e as suas famílias”, adiantou.

Apela também para a importância do diagnóstico precoce, uma das principais ferramentas para “prevenir ou adiar complicações que se podem revelar fatais”.

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“Há dois milhões de pessoas com pré-diabetes que têm que ser diagnosticadas com urgência e isso implica que os centros de saúde e os cuidados primários tenham políticas ativas de rastreio dessa população”. Isso também implica que “a medicina do trabalho assuma as suas responsabilidades” porque muitas destas pessoas estão em idade ativa e não frequentam os centros de saúde.

“A ligação ou mesmo a integração da medicina do trabalho nos centros de saúde tem de ser equacionada e tem que se encontrar formas para que se possa avançar para que este rastreio seja sistematizado e que todas as pessoas tenham possibilidade de acesso”, defendeu.

Para o especialista, o Dia Mundial da Diabetes deve representar “um alerta que deve ter consequências ao nível da organização dos cuidados de saúde (…) e da participação das pessoas com diabetes na decisão política”.

Por outro lado, “as instituições não devem ficar fechadas sobre si próprias, não devem ter uma limitação da sua atividade. Devem ter permanentemente em atenção as pessoas que têm diabetes e que são o alvo principal de toda a nossa ação”.

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