"A partir da próxima semana, quem entre em Portugal, pode ter de ficar de quarentena", alertou esta sexta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa, minutos depois da divulgação do boletim diário da DGS que aponta para 6 mortes e 1.020 casos de COVID-19 em Portugal.

"Nós hoje vamos lançar uma norma nova para os serviços se organizarem e a indicação genérica é que quem entre em Portugal deve ficar, ou vai ficar, de facto, em isolamento profilático durante 14 dias", acrescentou.  

Recomendações da DGS

A DGS acompanha a situação da expansão do novo coronavírus e recomenda:

  • Em Portugal, caso apresente sintomas de doença respiratória e tenha viajado de uma área afetada pelo novo coronavírus, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24). Caso se dirija a uma unidade de saúde deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.
  • Evitar o contacto próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas; evitar o contacto próximo com quem tem febre ou tosse;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contacto direto com pessoas doentes, com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;
  • Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir;
  • Evitar o contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;
  • Adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  • Evitar o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos;
  • Seguir as recomendações das autoridades de saúde do país onde se encontra.

No entanto, "as autoridades de saúde podem fazer uma avaliação mais fina do risco e tomar medidas que excecionem esta regra", referiu ainda.

Por outro lado, "é obrigatório o isolamento de pessoas doentes e de pessoas a quem as autoridades de saúde disseram para ficar em casa", frisou Graça Freitas.

"Sabendo que todos podemos ser atingidos pelo vírus, alguns estão em maior vulnerabilidade porque têm menos de capacidade de se defenderem", justificou. "Não quero dizer que todas as pessoas adoeçam", acrescentou, para enumerar a seguir as pessoas em maior risco: "idosos" e doentes como "hipertensos, diabéticos, doentes cardiovasculares ou doença oncológica".

"Estas pessoas precisam de contactar o mínimo possível com outras pessoas", referiu. "Por outro lado, estas pessoas precisam de ser cuidadas", pedindo a todos que respeitem as regras de etiqueta respiratória e de distanciamento social. "Manter os doentes e os idosos protegidos é muito importante", asseverou.

Em conferência de imprensa, Graça Freitas disse que na Madeira existem mais quatro casos de COVID-19 que estão a ser analisados e à espera de confirmação pelo instituto Dr. Ricardo Jorge (INSA). Ou seja, para além dos dois casos já confirmados no boletim de hoje, esse número poderá aumentar para seis no arquipélago nas próximas horas. 

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Lares devem colocar novos doentes em quarentena

Quando à admissão de novos utentes em lares, Graça Freitas frisou: "Um utente novo que entre num lar deve ficar em quarentena durante 14 dias".

"Quero deixar um apelo aos lares: se um doente manifestar sintomas, deve ser automaticamente retirado de uma zona coletiva para um quarto em que esteja sozinho até que seja feito um teste", explicou.

Capacidade para 9.000 testes diários

Em Portugal, neste momento, entre kits, testes e meios tradicionais, existe a capacidade para se fazerem 9.000 testes diários de despistagem da doença.

"Estão-nos a chegar de diferentes sítios outras metodologias, outros reagentes, outros tipos de kits e outros tipos de testes e têm de passar o filtro de qualidade do Instituto Dr. Ricardo Jorge", explicou, adiantando a possibilidade do aumento da disponibilidade de testes nos próximos dias.

"Depois de passado o teste de controlo de qualidade dos novos testes, será possível aumentar essa capacidade de deteção de casos", disse ainda Graça Freitas.

Questionada sobre os conselhos de higiene e segurança, a diretora-geral da saúde informou que está "ainda a trabalhar em normas e informação para ajudar as pessoas", salientando que é importante, por exemplo, deixar os sapatos à porta de casa.

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Na mesma conferência, António Lacerda Sales, secretário de Estado da Saúde, referiu que a linha SNS 24 continua também a ser reforçada e deve ser a forma primordial para os doentes entrarem em contacto com as instituições de saúde em caso de suspeita de sintomas.

"Não se desloquem às urgências por COVID-19, sem as orientações prévias do SNS 24", apelou. "Os tempos de resposta ainda não são os que gostaríamos que fossem, mas continuamos a adaptar e a melhor esse processo", afirmou.

"Tivemos um recorde de chamadas na Linha de Atendimento ao Médico (LAM): 4.150 chamadas atendidas", indicou, com 40 médicos voluntários em atendimento simultâneo.

"Aumentar a capacidade de testagem é um prioridade e estamos a englobar novos laboratórios na rede", acrescentou Lacerda Sales.

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