Denominado ‘Noite saudável das cidades’, o projeto, que é uma iniciativa do Centro de Responsabilidade Integrado (CRI) de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), do Instituto Europeu para o Estudo dos Fatores de Risco (IREFREA Portugal) e do Núcleo de Internacionalização do CHUC, visa contribuir para “a prevenção das problemáticas associadas aos contextos recreativos e à recreação noturna”.

Esses contextos desempenham “um papel importante na vida das cidades e dos jovens”, reconhecem os responsáveis pelo programa, mas “a rutura de hábitos de vida saudáveis” e a associação a “fatores de risco em várias áreas” têm consequências que “põem em causa a saúde e bem-estar dos cidadãos”, advertem.

“Não se pretende, de modo nenhum, acabar com a diversão”, sublinha, à agência Lusa, Diana Vilela Breda, coordenadora do Núcleo de Internacionalização do CHUC.

Em Coimbra, cidade onde “os jovens têm um peso especial”, é necessário oferecer-lhes (e “aos adolescentes também”) opções de “noite mais saudável” e menos exposta a riscos, sustenta a responsável.

“Os dados disponíveis preocupam-nos muito. Os consumos de álcool e de outras substâncias, sobretudo canábis, estão a aumentar e, cada vez mais, a partir de idades precoces”, tal como a sinistralidade rodoviária, que “também está a aumentar, particularmente à noite”, entre quinta-feira e sábado, salienta Diana Vilela Breda.

Não se julgue que a canábis não é perigosa, ela é, desde logo, “uma porta de entrada para outras drogas, nem se diga que bebedeira é tradição”, exemplifica a especialista, sustentando que a tradição estudantil coimbrã é “tertúlia e diversão”.

Não se trata de proibir o consumo de álcool, mas “uma coisa é beber moderadamente, outra é acabar a noite em coma, no hospital, como acontece cada vez mais”, ou, também de forma crescente, com overdose, adverte.

“Assustadores” são também os números relativos a jovens que têm relações sexuais sob efeito de substâncias, afirma Diana Vilela Breda, referindo que um estudo recente, feito por serviços do CHUC, concluiu que “mais de 60% dos jovens” inquiridos revelaram ter tido relações sexuais sob efeito de drogas e/ou álcool.

A violência, incluindo violações, também está a crescer. Subsistem “muitos casos invisíveis”, parte dos quais só acabam por ser detetados mais tarde, quando as vítimas recorrem aos serviços de saúde mental.

Na noite (e não apenas em épocas de festa como a Queima das Fitas ou a Latada), “os comportamentos são mais graves do que se supõe” e “os pais e a sociedade em geral têm de desenvolver contextos recreativos saudáveis”, mas “sem moralismos”, alerta Diana Vilela Breda.

“A família tem um papel muito importante” (os pais são, frequentemente, “permissivos em relação ao álcool e têm de dizer não, de estabelecer normas e limites”), mas são necessárias mais intervenções, designadamente a nível da escola, da ocupação dos tempos livres, dos empresários e funcionários dos estabelecimentos de restauração e de diversão noturna, envolvendo todos, sem esquecer, naturalmente, os públicos-alvo do projeto.

No âmbito do programa, o assunto vai ser debatido no fórum internacional ‘Noite saudável das cidades’, a decorrer entre quarta e sexta-feira (04 e 06 de maio), em Coimbra, no auditório do CHUC, com a participação de especialistas de diversos países (Angola, Espanha, República Checa, Equador, Líbano, Inglaterra e Bélgica, além de Portugal) e dos mais diferentes setores.

Durante o encontro, será apresentado o projeto em rede ‘Noites saudáveis das cidades’, programa pioneiro piloto na Região Centro (e cujos responsáveis admitem venha a ser alargado a outros centros urbanos), que deverá envolver instituições, para além do CHUC, como a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), a Turismo do Centro e a Câmara de Coimbra ou a Comissão da Queima das Fitas e a Associação Académica de Coimbra (AAC).

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