Os grupos José de Mello Saúde e Luz Saúde já não querem nada com o Instituto de Proteção e Assistência na Doença (ADSE).

No entanto, a ADSE suportou, em 2016, 20,8% dos gastos correntes dos hospitais do setor privado, de acordo com a mais recente Conta Satélite da Saúde do INE. Esta percentagem, contudo, poderá ser ainda mais elevada, explica o "Jornal de Negócios" esta quarta-feira.

Segundo o jornal, as despesas feitas em hospitais em regime de PPP, no mesmo período, entraram para as contas do SNS - ou seja, como um hospital público. O jornal escreve que o ajustamento dos números faria essa percentagem disparar para 25,9%.

Em 2017, o grupo Luz Saúde foi o consórcio privado que mais dependeu da ADSE, com o subsistema a gerar 22,5% da sua faturação. Seguiu-se o grupo José de Mello, com 12,9% da sua faturação a ter origem na ADSE.

Diálogo urgente

Ontem o Conselho Geral e de Supervisão (CGS) da ADSE aprovou, por unanimidade, uma resolução onde apela para um "urgente diálogo" entre os prestadores de saúde e o conselho diretivo do instituto público.

Na segunda-feira, no programa Prós e Contras, da RTP, a ministra da Saúde, Marta Temido, disse que o hipotético fim dos acordos com a ADSE não seria "o fim do mundo" e que a porta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) continuaria aberta para todos os cidadãos residentes em Portugal.

De acordo com uma nota interna da José Mello Saúde, assinada pelo presidente Salvador Mello a que o jornal Expresso teve acesso, a suspensão da convenção com a ADSE tem efeitos a partir do dia 12 de abril. Já a da Luz saúde entra em vigor a partir de 15 de abril.

No final de dezembro, a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada revelou que alguns prestadores admitiam deixar de ter convenção com a ADSE, após esta ter exigido 38 milhões de euros por excessos de faturação em 2015 e 2016.

A rede Hospital da Luz integra 14 hospitais, 13 clínicas ambulatórias de proximidade e um centro clínico digital. Já a rede CUF dispõe de unidades hospitalares e unidades de ambulatório localizadas em Lisboa, Cascais, Torres Vedras, Matosinhos e no Porto. Conta com mais de um milhão de clientes.

Marcelo pede bom senso

Questionado pelos jornalistas sobre esta situação, Marcelo Rebelo de Sousa disse esperar que “haja bom senso e capacidade de entendimento”.

“A ADSE é muito importante, não interessa que entre em crise, no sentido de as pessoas deixarem de acreditar – uma vez que é facultativa – nela e, por outro lado, que não haja a preocupação de não haver uma alternativa que evite a sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde, que é uma conquista de Abril e uma realidade que deve ser conservada e defendida”, apelou, admitindo que esta é “uma situação muito complexa”.

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