"O pedido de demissão apresentado ao senhor ministro da Saúde, muito embora só agora se tenha tornado público por motivos externos à sua vontade e ao funcionamento da instituição que dirige, ocorreu algum tempo antes da autorização da DGS para a dádiva de sangue por homossexuais masculinos, pelo que nada tem a ver com essa matéria. Repudia-se por isso qualquer associação entre a demissão e o referido documento da DGS, por ser mentira e por ser, no limite, desajustado", esclarece Hélder Trindade num comunicado difundido esta quinta-feira (22/09).

A demissão do especialista em transplantação, que estava no cargo desde 2011, foi confirmada na quarta-feira (21/09) pelo Ministério da Saúde.

O pedido de demissão de Hélder Trindade por "razões pessoais" ocorre dias depois de a Direção-Geral da Saúde (DGS) ter divulgado uma norma de orientação clínica no sentido de permitir a dádiva de sangue por parte de homossexuais e bissexuais.

Hélder Trindade já tinha sido contestado pelo Bloco de Esquerda por este ter afirmado que só admitia dadores homossexuais que fossem abstinentes.

Estas novas regras vêm pôr fim à proibição total de homens que fazem sexo com homens (HSH) - homossexuais e bissexuais - poderem dar sangue, passando aquilo que é hoje considerado como “critério de suspensão definitiva” para “critério de suspensão temporária”.

Na prática, os HSH passam a poder ser dadores de sangue, estando sujeitos à aplicação de um período de suspensão temporária de 12 meses após o último contacto sexual, com avaliação analítica posterior. O mesmo período de suspensão (um ano) é aplicado a todos os dadores que tenham tido relações sexuais com trabalhadores do sexo e utilizadores de droga.

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A norma, publicada na página da DGS na segunda-feira, vem também estabelecer um período de suspensão de 12 meses após o último contacto sexual para pessoas que tenham tido parceiros portadores de infeção por VIH, hepatite B e hepatite C.

Novos parceiros obrigam a uma espera de seis meses

Já os homens e mulheres que tenham um novo parceiro sexual têm que esperar seis meses para serem avaliados quanto à possibilidade de darem sangue. Mantêm-se “suspensos definitivamente”, ou seja, proibidos de dar sangue, todos os trabalhadores do sexo e utilizadores de drogas, por estarem “expostos a um elevado risco infeccioso”.

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