Opinião: Um novo mundo inclusivo (e acessível a todos)

Quando pensamos em cidades, uma das primeiras palavras que nos salta imediatamente à mente é lugares. Quais os lugares que tanto ansiamos visitar? Aqueles espaços de que tanto ouvimos falar e que tanto desejamos experienciar. Um artigo de opinião de Hugo Vilela, fundador da Places4All.
créditos: Edward Linsmier/Getty Images/AFP

Ora, é precisamente sobre lugares e aquilo que os mesmos nos proporcionam que trata o presente artigo. Na visita a um espaço físico, seja ele de que natureza for, procuramos constantemente obter emoções, conforto e bem-estar, sempre com autonomia no seu usufruto.

Hugo Vilela, Fundador da Places4All
Hugo Vilela, Fundador da Places4Allcréditos: DR

O restaurante onde tão bem se come, o café de rua que serve de palco para convívios e conversas entre amigos, o magnífico monumento histórico de visita obrigatória, a universidade, o evento mais badalado da cidade ou os parques naturais. Uma cidade com lugares que proporcionam emoções fortes é uma cidade atrativa.

Neste sentido, os lugares que transmitem emoções são aqueles que interagem com as pessoas através do seu ambiente físico, sensorial e das relações interpessoais que estabelecem.

Ambiente físico: as características que permitem que o espaço interaja com quem o frequenta através da mobilidade e presença física da pessoa, desde a sua chegada, o usufruto dos seus bens e serviços até à sua partida.

Ambiente sensorial: des tacam-se aqui todas as características que tornam possível a interação das pessoas no espaço através dos sentidos, como, por exemplo o conteúdo visual, os sons, os textos ou as cores.

Relações interpessoais: é a forma como o lugar interage e comunica através de comportamentos humanos.

Mas será que todos os lugares, que juntos completam o puzzle que é uma cidade, estão preparados para receber todas as pessoas que os queiram visitar?

Mil milhões de pessoas com desafios diários

A verdade é que existem no mundo, mais de mil milhões de pessoas que têm diariamente desafios, tanto na mobilidade como a capacidade de interagir com os lugares através dos sentidos bem como aqueles que percecionam os estímulos de forma bastant  e mais intensa (exemplo: pessoas com autismo).

Estas pessoas procuram diariamente lugares que lhes proporcionem autonomia e o máximo de conforto possível. Se tivermos em conta que estas pessoas estão quase sempre acompanhadas por familiares e amigos, o número aumenta exponencialmente e o problema torna-se ainda mais grave.  

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