"Sem capacidade de diagnóstico, os países ficam no escuro: não sabem até que ponto e por que motivo o vírus se espalhou e quem tem coronavírus, ou outra doença com sintomas semelhantes", disse na segunda-feira o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A OMS "identificou 168 laboratórios em todo mundo com a tecnologia correta para diagnosticar coronavírus e enviou kits para os Camarões, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Egito, Etiópia, Gabão, Gana, Irão, Quénia, Marrocos, Nigéria, Tunísia, Uganda e Zâmbia", acrescentou, ressaltando que "muitos desses países já começaram a usá-los". Segundo ele, outro carregamento de 150.000 testes para mais de 80 laboratórios deve partir de Berlim nas próximas horas. 

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Vários países propõem a sua própria técnica. Os testes atuais desenvolvidos por laboratórios de referência são baseados na deteção do código genético do novo coronavírus.

Os testes detetam a infeção antes do desenvolvimento de anticorpos e os resultados são obtidos "em quatro, ou cinco horas", explica à AFP Vincent Enouf, que dirige a estrutura francesa na vanguarda dessa questão, o Centro Nacional de Referência do Instituto Pasteur.

As amostras são recolhidas por cotonete no nariz, porque o vírus multiplica-se bem nas vias aéreas, mas também pode ser encontrado no sangue, fezes e urina.

Em pacientes hospitalizados, cuja condição respiratória é mais grave, a amostra pode ser recolhida por lavagem broncoalveolar (ou seja, ao nível pulmonar), acrescenta o pesquisador, cujo laboratório é um dos 16 de referência em coronavírus para a OMS.

A técnica utilizada, chamada RT-PCR, é um método de amplificação de material genético viral. Esse tipo de teste deve ser realizado por laboratórios especializados, treinados "para evitar erros". Entre esses erros, estão os falsos negativos, ou seja, deixar alguém contaminado sem tratamento.

Conhecer melhor a doença

É por isso que o Centro Africano de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, uma agência especializada da União Africana) organizou recentemente uma formação no Senegal com 12 países, usando testes enviados pela OMS.

Os Estados Unidos já começaram a distribuir kits para os seus laboratórios nacionais.

Também disponibilizaram kits de teste para 191 laboratórios qualificados no mundo inteiro, segundo o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o secretário de Saúde, Alex Azar. Além disso, "mobilizaram pessoal para treinar profissionais da saúde em 15 hospitais no Vietname".

Outro tipo de teste também pode permitir avaliar o número de pessoas que desenvolveram formas leves, ou sem sintomas, e que não vão ao hospital, contribuindo, portanto, para definir melhor a taxa de mortalidade associada ao vírus. Trata-se de um teste de anticorpos, que o corpo produz em resposta à infeção.

"Não há uma teste aprovado internacionalmente" para esse outro tipo de análise, observa Al Edwards, da Escola de Farmácia da Universidade de Reading.

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O desafio destes testes não seria identificar os indivíduos infetados precocemente, porque os anticorpos demoram vários dias a aparecer. "Mas poderiam ajudar a melhorar a nossa compreensão sobre a doença", detetando exposições passadas ao vírus, observa Martin Hibberd, professor de doenças infeciosas emergentes, da London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM).

De acordo com especialistas da OMS, cerca de 82% dos casos registados da doença, oficialmente chamada na terça-feira de COVID-19, são considerados leves, 15%, graves, e 3%, "críticos".

O principal medo é ver a epidemia propagar-se a países com sistemas de saúde frágeis. Na terça-feira, o chefe da OMS estimou que isso poderia causar um "caos".

Veja em baixo o mapa interativo com os casos de coronavírus confirmados até agora

Se não conseguir ver o mapa desenvolvido pela Universidade Johns Hopkins, siga para este link.

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