6 de junho de 2014 - 01h01
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) referiu hoje que o Norte do país e a região de Lisboa e Vale do Tejo ultrapassam os valores limites de concentração no ar ambiente de dióxido de azoto e partículas em suspensão.
“É necessário melhorar, a curto prazo, a qualidade do ar nas zonas que estão a acima dos limites para proteção da saúde”, afirmou à Lusa a chefe de Divisão do Ar e Ruído da APA, Dília Jardim, à margem do seminário “A cidade e o ar”, na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), no Porto.
A responsável explicou que a concentração de partículas em suspensão (conjunto de poluentes constituídos de poeiras, fumaças e material sólido e líquido que se mantém suspenso na atmosfera) e dióxido de azoto (gás poluente) no ar ambiente está associada ao tráfico rodoviário e combustão residencial e industrial.
Em Portugal, as “grandes” cidades estão em situações de incumprimento quanto à qualidade do ar.
Braga, Porto Litoral, Aveiro/Ílhavo, Zona Industrial de Estarreja e Área Metropolitana de Lisboa Norte e Sul ultrapassam os valores limite de dióxido de azoto e partículas em suspensão.
“Devido à sua dimensão e elevada concentração de pessoas, as grandes cidades tendem a ter maior poluição atmosférica”, explicou.
Dília Jardim revelou que na Área Metropolitana de Lisboa (AML) estabeleceu-se uma Zona de Emissão Reduzida (ZER), limitando o acesso a veículos com mais de dez anos.
Solução lisboeta deve ser replicada
Em um ano, as emissões atmosféricas diminuíram com a redução do tráfego automóvel no local, disse.
Na opinião da dirigente, esta solução deve ser replicada a cidades “com problemas” e que precisam de reduzir rapidamente as emissões atmosféricas.

“É importante haver o envolvimento das autarquias locais nos planos de ação para melhorar a qualidade do ar”, considerou.
Estabelecer ZER, gerir o tráfego automóvel e estabelecer medidas de proteção aos ecossistemas são algumas das medidas a implementar a nível nacional para reduzir as emissão atmosféricas e melhorar a qualidade de ar.
A Estratégia Nacional para o Ar (ENAR 2014-2020) visa uma abordagem integrada do recurso ar, medidas ao nível setorial e melhor articulação entre os vários níveis de governação para implementar ações de proteção da saúde e melhoria da qualidade do ar, avançou a diretora de Departamento da APA, Filomena Boavida.
Por seu lado, a diretora de Serviços de Ambiente da CCDR-N, Paula Pinto, realçou a relevância de estabelecer ZER, lavar as ruas, condicionar o acesso de veículos pesados a determinadas áreas da cidade e gerir o tráfego para melhorar a qualidade do ar e, consequentemente, o bem-estar da população.
Por Lusa

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