A luta biológica decorre há três anos, tem que ser realizada por esta altura de primavera e consiste na largada dos parasitóides ‘Torymus sinensis', insetos que se alimentam das larvas que estão nas árvores e são capazes de exterminar a vespa.

A Lusa acompanhou uma ação que decorreu em Carrazedo de Montenegro, no concelho de Valpaços, distrito de Vila Real.

A iniciativa foi promovida pela associação AgriFuturo e acompanhada pela Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN).

Carla Alves, diretora regional da DRAPN, afirmou que nesta primavera serão realizadas à volta de “um milhar de largadas” na região Norte.

Valpaços é um dos concelhos onde haverá um maior número de largadas, designadamente 140, mais 52 do que no ano passado (88).

Este município é um dos maiores produtores de castanha em Trás-os-Montes, a par com Vinhais e Bragança, e é, por isso, que aqui o “problema dói mais”.

O trabalho no terreno decorre sobre a orientação de uma comissão técnica, que envolve os serviços do Ministério da Agricultura, como a Direção-Geral de Veterinária e as direções regionais de agricultura, ainda associações e municípios.

Carla Alves referiu que esta comissão avalia o número de largadas que são necessárias em cada município e faz a sua monitorização.

Por isso mesmo, explicou, quando se faz uma largada faz-se também a georreferenciação do local.

A vespa das galhas do castanheiro representa, segundo a responsável, uma “preocupação enorme”, acrescentando que “até a população do ‘Torymus’ ter expressão nos soutos “vai demorar tempo, nunca antes de cinco a sete anos”.

“Já se percebe que vamos ter aqui anos complicados, de baixa de produção de castanha. Isto tem de ser quase um desígnio de todos nós. Esta é uma das produções com maior expressão em Trás-os-Montes, em muitos concelhos é o motor económico”, salientou.

Itália foi um país muito afetado pela praga e é de lá que vem o parasitóide com que se faz a luta biológica.

“Em Itália há resultados que já satisfazem, em que a curva já está ascendente de produção”, referiu.

Aquele é também um país atingido pela pandemia de COVID-19 pelo que, segundo a responsável, os “cuidados são redobrados” no manuseamento do material.

Em Itália foi implementado um subsídio para apoiar os produtores afetados pelas quebras de produção.

“Em Portugal teremos que estudar também essa possibilidade. Penso que será uma possibilidade em cima da mesa, que é o apoio às quebras de produção que vão acontecer”, salientou quando questionada sobre a iniciativa italiana.

A responsável elencou a medida lançada pelo Governo português que inclui dois milhões de euros para apoiar a luta contra a vespa das galhas do castanheiro. “As candidaturas submetidas ultrapassam a datação orçamental”, sublinhou.