Dois meses e oito sessões após o lançamento do projeto, nota-se "a felicidade no rosto dos doentes", conta à agência Lusa uma das musicoterapeutas, Helena Brites.

"Ao fim das primeiras sessões percebemos logo uma grande mudança na expressão dos doentes. A forma como saem do laboratório, com visível felicidade no rosto, é das coisas mais evidentes", sublinha a técnica.

O projeto disponibiliza abordagens terapêuticas não farmacológicas aos doentes com dor crónica, tendo a música como principal ferramenta.

A parceria entre a Unidade de Dor (Unidor) do CHL e o Núcleo de Saúde com Arte da Sociedade Artística e Musical dos Pousos (SAMP) iniciou-se há dois anos, com a formação de uma equipa multidisciplinar.

Há dois meses culminou com o lançamento do Laboratório de Musicoterapia, onde decorrem atividades terapêuticas em sessões semanais que decorrem individualmente e em grupo.

"A apreciação dos intervenientes tem sido muito positiva, manifestando-se pela completa adesão dos doentes selecionados", explica à agência Lusa a diretora da Unidor.

Segundo Ana Mangas, "a música, como outras formas de arte, permite que o doente beneficie do efeito analgésico ao nível do relaxamento, introspeção e ‘insight'".

"Há evidência científica que mostra que a música favorece o processo de modulação descendente nas vias da dor, resultando na diminuição da sua intensidade. É também conhecido o seu efeito como ansiolítico e antidepressivo", acrescenta a médica.

A intervenção do laboratório é diferenciada conforme a patologia dos utentes. Em Leiria, uma das interações envolve um grupo de pacientes com fibromialgia.

"As sessões são adequadas a quem temos à frente, são implementadas para diferentes realidades e diferentes pessoas", explica Helena Brites.

Há sempre uma estrutura fixa, que inclui a canção do "Olá" e do "Adeus", e depois cada um é convidado "a projetar a sua dor, a deitar cá para fora o que sentem, a sua revolta".

"É importantíssimo para qualquer um de nós identificar os seus estados de alma e projetá-los através do som e da voz. É libertador", frisa a musicoterapeuta.

A cada sessão recriam-se músicas que fazem parte da identidade pessoal de cada um dos participantes e há momentos de relaxamento, utilizando sons da natureza.

Apesar do "feedback" positivo, é prematuro apurar os índices de eficácia deste tipo de tratamento no Centro Hospitalar de Leiria, defende Ana Mangas.

"O projeto está a decorrer numa primeira fase que pretende ser de diagnóstico e de ajuste entre as necessidades dos doentes e a oferta da equipa. Sabemos, no entanto, que a aposta da unidade de dor na complementaridade terapêutica das abordagens não farmacológicas no controlo da dor será uma mais-valia para os utentes da nossa região".

Para as técnicas do NSA, cada sessão é um privilégio: "Uma coisa é apresentar uma obra de arte a alguém. Outra é fazer o que gostamos de forma a trazer um benefício para alguém, ajudando a mudar algo na sua vida. Isso deixa-nos bastante felizmente e reverte imenso a nosso favor", conclui Helena Brites.

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