“A equidade das vacinas não é apenas a maior prova moral dos nossos tempos, é também uma questão de eficácia. À medida que o vírus tende a mutar, ninguém está seguro até estarmos todos vacinados. E, infelizmente, o mundo não se está a mostrar à altura da ocasião: enfrentamos o espetro de um mundo dividido, e de uma década perdida para o desenvolvimento”, sublinhou Guterres.

António Guterres falava numa míni sessão plenária do Parlamento Europeu em Bruxelas, poucos dias depois de ser reconduzido para o segundo mandato enquanto secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Num discurso onde abordou vários temas, como o clima, a transição digital, os conflitos ou o multilateralismo, Guterres destacou que a “prioridade” do seu segundo mandato à frente da ONU será o de “contribuir para uma cooperação global mais eficaz que responda às preocupações globais”.

“A pandemia revelou as nossas fragilidades partilhadas, a nossa interconectividade, e a necessidade esmagadora de ação coletiva. O nosso maior desafio, e a nossa maior oportunidade, é utilizar esta crise como uma oportunidade de nos direcionarmos para um mundo mais ‘verde’, mais justo e mais sustentável”, apontou o secretário-geral.

Nesse sentido, António Guterres salientou que o mundo se encontra atualmente numa “encruzilhada”, onde a situação tanto pode “quebrar” como “avançar”.

“Podemos quebrar e ter uma crise perpétua, ou avançar rumo a um futuro mais ‘verde’, mais seguro e melhor para todos. Eu farei tudo o que estiver ao meu alcance para atingirmos avanços”, assinalou.

O secretário-geral da ONU referiu assim que a atual pandemia de covid-19 revelou “sistemas de saúde totalmente inadequados, enormes lacunas nos sistemas de proteção social, e grandes desigualdades dentro e entre os países”.

Considerando assim que, apesar de “alguns países estarem a ver a luz ao fundo do túnel” devido ao processo de vacinação, a covid-19 continua a ser uma “realidade ameaçadora em muitos lugares do mundo”, António Guterres relembrou que a “pandemia está a gerar mais vítimas hoje de que há um ano, e as vacinas são a única maneira” de se conseguir sair da pandemia.

“Devem ser um bem público global, disponível e acessível para todos”, destacou.

Numa altura em que, para que 75% da população mundial seja vacinada, é necessário que não “apenas mil milhões, mas 11 mil milhões de vacinas” sejam disponibilizadas, Guterres relembrou também que “quase 90% dos países africanos estão prestes a falhar a meta que tinham para setembro”, que consistia em terem 10% das respetivas populações vacinadas.

“Precisamos de aumentar os nossos esforços de vacinação global. Como reiterei na cimeira do G7, precisamos de um plano de vacinação global: os países produtores de vacinas, e aqueles que são capazes de as produzir, se foram apoiados, devem juntar-se numa ‘task force’ de emergência”, assinalou Guterres.

Para o secretário-geral, o intuito da ‘task force’ em questão seria o de “mobilizar as empresas farmacêuticas e atores industriais chave” e “definir e implementar um plano global para assegurar a vacinação de toda a população mundial o mais cedo possível”, indicando a data de 2022.

Perante os aplausos dos eurodeputados, Guterres frisou que, para conseguir fazê-lo, é necessário “explorar todas as opções” no que se refere à partilha de vacinas, elencando a “transferência de tecnologias”, mas também “licenças voluntárias” e a “flexibilidade nos direitos de propriedade intelectual”.

“Responder aos problemas na cadeia de abastecimento também é fundamental para aumentar rapidamente a produção em todo o mundo. Enquanto ator global, a UE deve usar a sua influência para ajudar neste esforço de assegurar um acesso justo e equitativo às vacinas para todos”, exortou Guterres.

Reiterando o papel global da UE, o secretário-geral da ONU assinalou que o bloco “trouxe décadas de paz e de prosperidade” e serve de “inspiração para o mundo”.

“Ao longo das décadas, tornou-se num parceiro vital para as Nações Unidas. Hoje, quando o mundo está a enfrentar desafios e transformações sem precedentes, a UE deve defender os direitos e valores fundamentais, e ajudar a liderar o caminho”, concluiu Guterres.

Além da intervenção na sessão plenária do Parlamento Europeu, o secretário-geral da ONU participa ainda hoje, como convidado, na reunião do Conselho Europeu, na qual o primeiro-ministro, António Costa, fará um balanço do semestre português da presidência do Conselho da União Europeia, que termina no dia 30.

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