O estudo, realizado durante 18 meses, baseou-se num registo informático, no qual estão inscritas “as interações com os pacientes e também todos os sistemas de prescrição de medicamentos”, disse à agência Lusa o chefe do grupo de investigação, Luís Rocha.

As razões que levam a uma maior afetação por parte das mulheres “ainda estão por descobrir”, mas Luís Rocha especula que as causas estejam relacionadas com motivos “do foro social ou biológico, porque se constatou que há mais mulheres diagnosticadas com depressão e muitos dos medicamentos encontrados têm a ver com ansiedade e depressão”.

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O estudo, que envolveu investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), da Universidade Regional de Blumenau (FURB) e da Indiana University, revelou também que esta problemática “é maior a partir dos 50 anos”, verificando-se que “estão a ser prescritos mais medicamentos às mulheres quando entram na menopausa”.

"Apesar de se saber que certas medicações interagem com outras, ainda assim estão a ser prescritas aos pacientes simultaneamente”, disse o investigador que verificou, neste estudo, a existência de mais de 180 interações.

Luís Rocha apontou várias razões para esta situação, como a falta de “uma alternativa, falha de atenção por parte dos médicos” ou o facto de cada paciente ser seguido por vários clínicos.

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Segundo o cientista, a interação de medicamentos pode ter “todo o tipo” de consequências na saúde dos utentes, como problemas neurológicos, disfunções hepáticas ou a redução de capacidade de efeito de um dos medicamentos.

Luís Rocha pretende obter dados de Portugal, mas acredita que estes sejam “piores” do que os verificados no Brasil, por haver uma população mais envelhecida.

Para além desta problemática, a situação causa ainda um aumento de custos, uma vez que existem pacientes que têm de voltar aos serviços médicos.

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