O Ministério da Saúde alargou por mais três anos o período de contratação de médicos aposentados e aprovou medidas de incentivo para médicos em regime de mobilidade parcial e para os que fixem em zonas carenciadas.

Em declarações hoje à agência Lusa, Marta Temido considerou que as medidas são bem-vindas, mas são de eficácia limitada.

“Estas medidas são pontuais. Estão desinseridas de uma estratégia global para a força de trabalho em saúde em Portugal e, por isso, têm e terão sempre uma eficácia limitada”, salientou.

A mesma responsável lembrou que os problemas de desequilíbrios na força de trabalho em saúde são “muito complexas num país que não tem tradição e não tem história de políticas e estratégias organizadas na área dos recursos humanos da saúde”.

No diploma sobre os médicos aposentados divulgado na segunda-feira, o Governo prorroga por mais três anos a vigência do decreto-lei que aprova “o regime excecional de contratação de médicos aposentados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS)” e permite que o trabalho possa ser também prestado a tempo parcial, com alterações ao regime remuneratório.

De acordo com a presidente da Associação de Administradores Hospitalares, esta já é a segunda prorrogação em quase dez anos.

“Se a memória não me falha, já é a segunda prorrogação. Isto dá uma noção do tempo que demoram a ser resolvidos os problemas dos recursos humanos da saúde”, declarou.

No entender de Marta Temido, o problema poderia ter sido resolvido se existisse uma estratégia para a força de trabalho na saúde.

Outro diploma tornado público na segunda-feira preconiza que os médicos passem a poder receber incentivos, devido “às dificuldades identificadas em algumas regiões do país em recrutar e atrair profissionais médicos”.

O decreto-lei estabelece nomeadamente um subsídio de colocação e um incentivo mensal durante cinco anos (de 900 euros nos primeiros seis meses e baixando depois), garantias de transferência escolar dos filhos e preferências de colocação para os cônjuges.

Em declarações à Lusa, a presidente da Associação de Administradores Hospitalares afirmou que “não é só o dinheiro que move os recursos humanos em determinadas regiões do país”.

“Muitas pessoas não vão devido à falta de perspetivas de enriquecimento profissional. É isso que inibe as pessoas”, vincou.

Assim, na opinião daquela responsável as medidas são positivas, mas estão desgarradas e consequentemente podem ter efeito pontual em relação a determinadas pessoas e situações.

“O efeito global é mais difícil”, disse Marta Temido, salientando que o problema só pode ser resolvido através de estratégias para a saúde e entre os vários ministérios.

 

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