A organização não-governamental (ONG) criada em França e que tem 40.000 funcionários permanentes em todo o mundo indicou em comunicado que recebeu 146 denúncias. Dessas, "40 casos foram identificados como casos de abuso ou assédio", sexual ou não, e, entre esses 40 casos, 24 foram casos de assédio ou abuso sexual", segundo a ONG.

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Destes 24 casos, 19 pessoas foram demitidas, acrescentou a organização. "Em outros casos, os funcionários foram sancionados por medidas disciplinares ou suspensões", aponta o comunicado.

De acordo com a MSF, no entanto, os 24 casos relatados não incluem "casos diretamente geridos por equipas no campo". O número real de casos de assédio ou abuso sexual pode, portanto, ser potencialmente maior.

"Embora os relatos de abuso estejam a crescer constantemente, a MSF está ciente de que os abusos cometidos na instituição são subestimados", reconhece a associação.

Caso da Oxfam

A MSF faz esta revelação quando o setor humanitário é abalado por denúncias que afetam a ONG britânica Oxfam. Vários funcionários da poderosa confederação de cerca de vinte ONGs presentes em mais de 90 países são acusados ​​de violações durante missões humanitárias no Sudão do Sul, abusos sexuais na Libéria e, entre outras coisas, de recorrerem a prostitutas no Haiti, bem como no Chade.

Segundo uma investigação interna da organização sobre 120 pessoas em três países entre 2013 e 2014, ou seja, entre 11 e 14% do pessoal atuante foram vítimas ou testemunhas de agressões sexuais. No Sudão do Sul, quatro sofreram violações ou tentativas de violações.

A diretora adjunta da Oxfam, Penny Lawrence, renunciou na segunda-feira devido ao escândalo no Haiti que data de 2011. O caso está ligado a eventos ocorridos durante uma missão humanitária por ocasião do terramoto que provocou mais de 200 mil mortos em 2010.

A Médicos Sem Fronteiras é uma associação médica humanitária internacional, criada em 1971 em Paris por médicos e jornalistas. A ONG intervém em áreas afetadas por conflitos, epidemias ou desastres naturais.

A associação, que garante a sua independência obtendo recursos quase que exclusivamente de doações privadas, está presente em 71 países, incluindo Iraque, Iémen, República Democrática do Congo e Sudão do Sul.

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