Um coro de centenas de trabalhadores da Maternidade Alfredo da Costa, sindicatos e opositores do fecho daquela unidade apelou hoje à porta do Ministério da Saúde para que a tutela não entregue um serviço "de excelência" aos privados.

Depois de uma marcha que partiu da porta da Maternidade, os manifestantes aplaudiram uma resolução contra o encerramento proposta pela plataforma que defende aquela unidade e que congrega sindicatos, organizações de defesa dos direitos das mulheres e varias personalidades públicas, como o encenador Carlos Avillez e os humoristas Homens da Luta, cuja menção foi bastante aplaudida.

À passagem pela Praça do Saldanha, a manifestação travou o trânsito em ambos os sentidos e suscitou mesmo um "micro-buzinão" que terá começado em protesto pela interrupção do tráfego, mas que a organização virou a seu favor, apelando aos automobilistas para que buzinassem sim, mas contra o fecho da Maternidade.

Entre os manifestantes, viam-se várias crianças "filhas da MAC", em carros de bebé ou pela mão dos pais.

Isabel Barbosa, porta-voz da plataforma, afirmou aos jornalistas que o ministro da Saúde não deve fechar um "serviço público de saúde de excelência, com equipas multidisciplinares altamente qualificadas e valências únicas em todo o país".

"Ao mesmo tempo que querem fechar a Maternidade, pretendem transferir os partos para serviços privados, é isso que tem acontecido: quando fecham no público optam pelo privado", salientou.

Em relação às más condições do edifício, alegadas pela Administração Regional de Saúde, Isabel Barbosa afirmou que devem ser explicados os "onze milhões de euros investidos na remodelação dos serviços" e que afirmou estarem à vista.

Na resolução aprovada pelos manifestantes, salienta-se que o número de partos efetuados na maternidade tem aumentado - de 5244 em 2009 para 5583 no ano passado - e que ali é assistido "o maior número de bebés prematuros".

No documento, a Plataforma em Defesa da Maternidade Alfredo da Costa exige também saber que futuro terão os trabalhadores da unidade, considerando "inadmissível" que sejam postos em causa "centenas de postos de trabalho" ou que as pessoas sejam obrigadas à "mobilidade forçada".

20 de abril de 2012

@Lusa

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