As espécies descontroladas de malária na região Ásia Pacífico têm sido preponderantes na evolução do genoma humano. Segundo o estudo de uma equipa internacional de investigadores, a malária Plasmodium vivax, a espécie mais predominante na Ásia Pacífico, é uma prova significativa de evolução genética que protege da malária. A descoberta foi publicada, esta semana, no jornal PLOs Medicine.

O estudo foi conduzido por Ivo Mueller, investigador do instituto Walter and Eliza Hall e do Centro Internacional de Investigação de Saúde de Barcelona (CRESIB), juntamente com os seus colegas do Instituto Médico de Investigação de Papua Nova Guiné, Centro de Doenças Globais Western Australia.

"Os parasitas da malária e dos humanos têm co-evoluindo durante centenas de anos", declara Ivo Mueller, sublinhando que ”a malária tem sido uma grande contribuição na evolução do genoma humano, com mutações de genes que permite aos humanos terem alguma proteção contra a doença, sendo preservado através de uma seleção natural, pois ajudam a sobreviver.”

Para o investigador, este estudo altera a perceção de que a malária P. falciparum é a única espécie de malária que afeta a evolução do genoma humano. “Os nossos resultados sugerem que a malária P. falciparum, apesar de ser altamente considerada como uma forma “benigna” de malária, afinal causa doenças graves que pressionam a evolução do genoma humano, na região da Ásia Pacífico.”

A equipa investigou as infeções das malárias P. vivax e P. falciparum, baseando-se em três estudos que incluíram um total de 1975 crianças, da Papua Nova Guiné, com idades compreendidas entre 0 e 14 anos. “Descobrimos que as crianças foram significantemente protegidas contra a infeção P. vivax, apresentando 46 por cento de redução em doenças clínicas nas crianças com pouco ou nenhuma imunidade, e 52 a 55 por cento de redução no risco de infeção nas crianças mais velhas. Também vimos uma redução significativa nos números de parasitas nas crianças e nos adolescentes, o que está relacionado com uma redução do risco da doença clínica", diz Ivo Mueller.

Futuramente, a descoberta pode ter profundas implicações na forma e desenvolvimento das vacinas da malária. “Estudar os mecanismos que fazem com que as pessoas sejam protegidas contra a malária P. vivax pode ajudar-nos a compreender os mecanismos da infeção e ajudar a identificar os melhores targets para a vacina da malária”, conclui Mueller.

7 de setembro de 2012

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