"Estes dados confirmam as previsões da Ordem, da tendência de subida destas declarações desde o início do ano, face ao agravamento da situação nos hospitais, em particular devido à falta de enfermeiros. Aliás, o mais recente relatório da OCDE Health at a Glance, divulgado há uma semana, revela que Portugal tem um rácio de 7,3 enfermeiros por mil habitantes, tendo já sido ultrapassado por países como a Roménia, Lituânia e Malta – a média dos países da UE é de 8,3 enfermeiros por mil habitantes", informa a OE em comunicado.

Só na zona Centro, onde as escusas têm vindo a ser renovadas, são já mais de cinco mil as declarações apresentadas, sendo que a maioria corresponde a enfermeiros do Hospital de Leiria.

A região Sul, com um total de 2.132 declarações, é a segunda zona do País com maior número de pedidos de escusa, com o Hospital Garcia de Orta, em Almada, a apresentar a situação mais grave, seguido do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, que abrange o Santa Maria, e do Hospital do Algarve.

"Estes números de escusas são seis vezes superiores aos números de há um ano, altura em que tinham chegado à OE 1.300 declarações", esclarece a nota.

"Em causa está a degradação dos serviços, sobretudo devido à falta de enfermeiros, o que leva ao incumprimento das dotações seguras, pondo em causa a qualidade e segurança dos cuidados prestados", refere ainda.

"Esta declaração foi disponibilizada pela OE a todos os enfermeiros para acautelar a eventual responsabilidade disciplinar, civil ou mesmo criminal dos enfermeiros face ao elevado número de doentes a seu cargo, uma vez que está demonstrado por estudos internacionais que por cada doente a mais a cargo de um enfermeiro a mortalidade sobe 7% nos hospitais", conclui.

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