A maior parte dos doentes que sofre um enfarte agudo do miocárdio não sabe tomar as medidas adequadas, e muitos nem sequer identificam os sintomas, acabando por perder muito tempo até receber ajuda, aumentando o risco de mortalidade.

As conclusões resultam de um inquérito realizado no âmbito de um projeto europeu denominado Stent For Life, em Portugal há um ano, e cujo balanço é hoje apresentado.

De acordo com o presidente da Associação Portuguesa de Cardiologia de Intervenção, responsável pela introdução do pro jeto no país, o Stent For Life, visa melhorar a prestação de cuidados médicos ao doente com enfarte e o acesso àquela que é considerada atualmente a melhor terapêutica para este tipo de enfarte, a angioplastia primária, explicou à Lusa o presidente daquela associação.

Segundo Hélder Pereira, os principais problemas a resolver para alcançar essa melhoria é ensinar ao doente quais os sinais de alerta para um enfarte e o que deve fazer nessa circunstância: "o doente deve sempre, mas sempre, chamar o INEM e nunca dirigir-se sozinho para o hospital ou adiar a resposta aos sintomas que apresenta".

“O INEM está equipado com aparelhos que permitem diagnosticar o enfarte e sabe encaminhar o doente para o hospital mais próximo que faz cardiologia de intervenção, contacta-o e quando o doente chega aos centros já está a logística preparada”, explicou.

Além disso, se no caminho o doente tem uma arritmia fatal – principal causa de morte pré-hospitalar – é socorrido imediatamente pelos profissionais do INEM, que reduzem a arritmia com fármacos, afirmou, acrescentando que a sobrevivência nestes casos é de cem por cento.

De acordo com um inquérito realizado, no âmbito do Stent For Life, durante um mês a 185 doentes, apenas 29% ligaram para o INEM, os restantes não tomaram a decisão correta e dirigiram-se pelos próprios meios para o hospital.

O resultado é que chegaram tardiamente ao hospital e em 56% dos casos recorreram inicialmente a outras unidades de saúde que não as mais indicadas.

“A consequência é que o doente tem que ser transferido para um hospital com angioplastia primária, o que é feito com transporte inter-hospitalar, perdendo-se ainda mais tempo, numa mediana de 120 minutos. Mais de metade dos doentes espera mais de duas horas”, afirmou.

De acordo com Hélder Pereira, por cada 15 minutos ganhos, no socorro ao doente, são seis vidas que se salvam.

Em suma, as principais barreiras a ultrapassar, reveladas por este primeiro ano de experiência do programa, são o reduzido número de doentes que contacta o 112, o elevado número de doentes que passa por unidades de saúde sem cardiologia de intervenção e o longo tempo perdido na realização do transporte secundário para os centros de intervenção”, sintetiza Hélder Pereira.

Há um outro aspeto a melhorar que é a sensibilização da população para os sinais e sintomas de enfarte, já que muitas vezes os doentes não os identificam e acabam por não ser tratados porque chegam tarde ao hospital, por vezes mais de 12 horas após o início do enfarte.

Os objetivos a alcançar no final dos três anos previstos para o projeto são aumentar o número de doentes intervencionados para 70%, alcançando os 600 por milhão (atualmente nos 303 por milhão), e ter a rede a trabalhar 24 horas por dia, todos os dias do ano, adiantou o médico.

Quanto aos aspetos positivos encontrados no final do primeiro ano, Hélder Pereira destaca a melhoria do serviço do INEM, e a “performance dos centros de intervenção, que é muito boa”.

“As guidelines europeias preconizam que desde o primeiro contacto do doente com médico até a artéria ser aberta decorram 90 minutos e nós estamos com uma mediana de 64 minutos, o que é excelente”, afirmou.

O “Stent for Life” é uma iniciativa conjunta da Associação Europeia de Intervenção Cardiovascular Percutânea e um núcleo da Sociedade Europeia de Cardiololgia.

14 de fevereiro de 2012

@Lusa

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