A associação ambientalista Zero divulgou hoje o estudo da Campanha Cidades Limpas, uma coligação de organizações europeias de que faz parte, no qual se avalia como as cidades estão a adotar as medidas necessárias para descarbonizar os seus sistemas de transporte até 2030.

No estudo foram avaliadas 36 cidades europeias, ocupando Lisboa o 15.º lugar, ligeiramente acima do meio da tabela, que é liderada por Oslo (Noruega), Amesterdão (Países Baixos) e Helsínquia (Finlândia).

Em comunicado, a Zero indica que, segundo o estudo, “Lisboa e as demais cidades europeias não estão no bom caminho em termos ambientais e climáticos, desviando-se de uma trajetória que até 2030 deve proporcionar aos seus cidadãos um ar limpo, formas de transporte sustentáveis e ruas confortáveis e seguras”.

Lisboa, a única cidade portuguesa a entrar nesta análise, ficou mal classificada na circulação e segurança pedonais, tamanho da rede de ciclovias, congestão rodoviária, qualidade do ar e espaços verdes.

A capital portuguesa ficou classificada no geral com 53,5%, o que corresponde a um valor ligeiramente melhor do que a classificação média (51,7%) das cidades.

Na nota, a Zero diz estar preocupada com a má classificação de Lisboa em vários indicadores como o tamanho da rede cicloviária (ocupando o 21.º lugar), “apurada comparativamente com a extensão da rede rodoviária”, já que, “apesar dos francos progressos registados nos últimos anos, a rede ainda não é suficientemente extensa”.

A associação está igualmente preocupada com a segurança pedonal, aferida com base nos atropelamentos mortais ocorridos nos últimos três anos em função da população, em que Lisboa está em penúltimo lugar da classificação (35.º).

No que diz respeito à rede pedonal, Lisboa surge em 25.º lugar na classificação e em 21.º quanto aos espaços verdes.

Apesar da má classificação, a Zero enaltece bons resultados em termos de segurança cicloviária, em que Portugal está no 10.º lugar entre 36 cidades e quanto ao preço do transporte público.

“Apesar de este peso ser baixo em Lisboa, muito por força da tarifa do passe intermodal em vigor desde 2019, neste aspeto a cidade classifica mal em termos relativos (30.º lugar), pois na maior parte das restantes cidades o peso é ainda menor”, sublinha a associação.

No que diz respeito à densidade da rede de transporte público, Lisboa é a segunda cidade na tabela.

Na sequência destes resultados, a Zero recomenda que as cidades portuguesas estabeleçam metas de mobilidade com emissões quase zero até 2030, começando já nos seus centros históricos.

A associação recomenda que o Governo as apoie nesta transição através da revisão da legislação, dando-lhes autonomia para tomarem as medidas locais necessárias e de financiamento suficiente, e que as cidades “monitorizem os seus progressos através de indicadores credíveis, adotando estratégias de recolha e disponibilização pública de dados que cubram todas as partes relevantes dos transportes e lhes permitam medir o progresso que fazem”.

A cidade de Oslo ficou em primeiro lugar com uma pontuação de 71,5%, seguindo-se Amesterdão, com 65,5%, e Helsínquia, com 64,2%. A pior classificação no relatório foi Nápoles, com 37,8%, logo abaixo de Cracóvia, com 37,9%.

Ao contrário de Oslo, estas cidades têm elevados níveis de congestionamento e falta de políticas públicas para reduzir a utilização de carros poluentes.

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