A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) promove hoje, em Lisboa, a primeira “Conferência sobre sobreviventes de Cancro”, reunindo juristas, médicos, economistas e sociólogos para um debate sobre o tema.

Os sobreviventes ao cancro deixam de ser considerados doentes cinco anos após o diagnóstico, altura em que perdem as regalias do Estado por serem considerados cidadãos normais, mas dificilmente conseguem um empréstimo ou um seguro.

Esta realidade, cada vez mais frequente dado o aumento da incidência do cancro, aliada à maior sobrevivência a esta doença, há muito tempo que preocupa a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC).

Com a “Conferência sobre sobreviventes de cancro”, a LPCC pretende avaliar o que acontece às pessoas que “perdem” os apoios legais que tiveram durante o tempo de doença, antecipando uma problemática social.

O presidente da LPCC, Carlos Freire de Oliveira, disse à agência Lusa que Portugal não pode esperar mais pela discussão deste tema, sabendo que a incidência do cancro vai aumentar nos próximos anos.

“Com o aumento de casos e de sobreviventes, iremos ter um número muito grande de pessoas que tiveram cancro”, disse

Carlos Freire de Oliveira recordou que, em Portugal, quando uma pessoa tem cancro usufrui de um conjunto de direitos nos cinco anos seguintes e que passam por benefícios fiscais e isenções de pagamentos de serviços médicos.

Passado esse tempo, o sobrevivente que não apresente sinais da doença deixa de ter estes benefícios, mas a doença vai dificultar-lhe a vida para obter empréstimos ou realizar seguros, por exemplo, acrescentou.

“A maioria dos doentes que não têm um tumor em evolução é considerada um cidadão normal, mas os bancos não lhe fazem empréstimos, nem as seguradoras seguros e, se o emprego for precário, facilmente o perdem”, disse.

Para garantir o controlo clínico da doença, estes sobreviventes têm de realizar exames, mas passados estes cinco anos deixam de estar isentos de pagamento de taxas moderadoras, adiantou Carlos Freire de Oliveira.

“Deve-se equacionar se esse cidadão normal, com antecedentes de cancro, deve pagar taxas moderadoras nos exames que precisa de fazer para controlar a sua doença”, defendeu.

A previsão de casos de cancro em Portugal aponta um aumento de cerca 25 por cento da incidência global da doença em 2030 e, simultaneamente, uma diminuição dos números de mortalidade.

A sessão inaugural conta, entre outros, com a presença do Ministro da Saúde, Paulo Macedo e da Ministra da Justiça, Paula Teixeira Cruz.

28 de maio de 2012

@Lusa

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