O confinamento, decretado no âmbito de uma campanha nacional chamada “Zero Ébola”, terminou, como previsto, às 18:00 locais e TMG (19:00 de Lisboa).

“[A operação] correu bem e estamos satisfeitos” com o bom acolhimento por parte da população, declarou Obi Sesay, membro da célula de crise do Centro Nacional de Luta Contra o Ébola (Nerc).

O balanço oficial dos três dias de isolamento deverá ser divulgado na próxima terça-feira, segundo o Nerc.

À exceção dos profissionais de saúde – 26.000 voluntários incluídos – e das forças de segurança, os cerca de seis milhões de serra-leoneses foram obrigados a ficar em casa desde as 06:00 de sexta-feira até às 18:00 de hoje, devido a esta medida de isolamento decidida pelo Presidente, Ernest Bai Koroma.

Foram, no entanto, autorizadas exceções ao confinamento na sexta-feira, durante algumas horas, para permitir aos muçulmanos – maioritários no país – deslocar-se à mesquita para a grande oração semanal, e hoje, para permitir aos cristãos ir à igreja para celebrar o Domingo de Ramos.

Segundo o Nerc, o confinamento era mais importante em quatro zonas onde se localizam os atuais focos da epidemia: a região do Oeste, incluindo Freetown, a capital, bem como os distritos de Port Kolo, Bombali e Kambia (norte), perto da fronteira com a Guiné-Conacri.

De acordo com diversos testemunhos e relatos da imprensa local, o confinamento decorreu, em geral, de forma pacífica, mas uma equipa de saúde foi agredida por habitantes em Kaffu Bullom, uma localidade da zona de Port Loko.

Durante a sua visita porta-a-porta, os profissionais de saúde ali descobriram, numa casa em quarentena, um menino de sete anos que parecia doente. Os incidentes ocorreram quando tentaram transportá-lo para o hospital, indicou um membro da equipa, o médico Festus James, citado pela imprensa local. Foram corridos à pedrada e com baldes de água e acabaram por abandonar o local.

Surgida em dezembro de 2013 no sul da Guiné-Conacri, a atual epidemia de Ébola propagou-se em seguida às vizinhas Libéria e Serra Leoa, fazendo no total mais de 10.300 mortes em cerca de 25.000 casos registados, segundo o mais recente balanço da Organização Mundial de Saúde, divulgado a 22 de março. A Serra Leoa registou mais de 3.700 mortes em 11.800 casos.

Os três Estados da África Ocidental, que contabilizaram mais de 99 por cento das mortes ocorridas, definiram como objetivo atingir zero casos em meados de abril.

A doença, que provoca febre hemorrágica, transmite-se por contacto direto com o sangue, secreções ou fluidos corporais de pessoas infetadas e ainda não existe tratamento nem vacina aprovada.

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