Uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Coimbra e da empresa Active Aerogels, também de Coimbra, criou “um novo aerogel em resposta a um desafio lançado pela Agência Espacial Europeia (ESA)”, afirma a Universidade de Coimbra (UC), numa nota enviada hoje à agência Lusa.

“Apesar das características únicas que os atuais aerogéis produzidos pela empresa de Coimbra”, que possuem “super isolamento térmico, extrema leveza e flexibilidade”, a sua “aplicação no setor espacial é limitada devido a alguma libertação de pó e partículas, o que os torna pouco práticos para a ESA”, destaca a UC.

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O novo aerogel, assegura, “não liberta pó nem qualquer tipo de partículas e mantém todas as propriedades da anterior geração de aerogéis”.

Considerando que a montagem de qualquer componente espacial é efetuada em “salas limpas, que têm de cumprir vários critérios, sendo um deles a contaminação por partículas que é definida em várias classes, a libertação de pó e partículas é crítica, mesmo que o aerogel seja encapsulado, porque em caso de quebra ou rasgo acidental, o risco de contaminação continua a ser bastante elevado”, nota a UC.

Para ultrapassar o problema, as equipas de investigação da Active Aerogels e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) desenvolveram o projeto AerogelDustFree, orçado em 700 mil euros, financiado por fundos europeus.

Depois de testarem várias estratégias de síntese, “com o objetivo de reduzir a libertação de pó e partículas” e obter um aerogel “limpo”, os especialistas concluíram que “a combinação de poliimidas (um tipo de polímero muito forte e resistente) com sílica, material já usado nos atuais aerogéis produzidos pela empresa”, se revelou uma fórmula de sucesso.

Das várias experiências já realizadas em laboratório, o desempenho deste novo aerogel híbrido tem “cumprido o objetivo, ou seja, o novo aerogel não liberta pó nem qualquer tipo de partículas e mantém todas as propriedades da anterior geração de aerogéis”, garante, citada pela UC, Marta Ochoa, responsável pela área de investigação e desenvolvimento da Active Aerogels.

Descoberta a fórmula certa, os investigardes vão agora “avançar para novos testes, tendo em vista a otimização do processo, e posteriormente prosseguir para a fase de ‘scale-up’ de forma a conseguir produzir aerogéis nas dimensões necessárias à aplicação final”, adianta.

Os novos aerogéis 'limpos' irão permitir “aumentar a maturidade do produto e, assim, o seu potencial de mercado, não só para espaço como para a aeronáutica e até mesmo para a construção civil”, acrescenta Fábio Silva, responsável de vendas da Active Aerogels.

A empresa tem ainda em curso o projeto AGIL (AeroGel In Line), financiado também por fundos comunitários em cerca de 460 mil euros por fundos europeus, para “fabricar aerogel em sistema contínuo, de modo a aumentar significativamente a quantidade produzida e consequentemente baixar os custos associados ao seu fabrico”.

Apesar de o aerogel ser bastante conhecido como excelente isolante térmico, a sua disponibilidade no mercado é ainda bastante reduzida, mas o projeto AGIL pretende “confirmar que é possível solucionar este problema através da investigação e desenvolvimento de uma linha de produção de aerogel em contínuo”.

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