"Estamos num tempo de grandes desafios - tecnológicos e médicos - e, em face da necessidade de promover um ambiente construído capaz de ser sustentável" e de adaptar-se às necessidades físicas e psicológicas do paciente, "é fundamental que os arquitetos, engenheiros e urbanistas se preparem para acompanhar a medicina e as ciências sociais nesta procura de uma nova agenda programática, disciplinar e política", disse Ana Tostões.

Para a especialista do Instituto Superior Técnico (IST), é importante "reconhecer os valores patrimoniais e o que pode ser reutilizado nos conjuntos" hospitalares já existentes e ter em conta aspetos como ventilação, iluminação, insolação, mas também questões relacionadas com aspetos ergonómicos, para facilitar a mobilidade dos doentes em funções tão simples como lavar as mãos.

A estes pontos junta-se o bem estar psicológico que pode resultar de atenções diversas como a decoração do quarto ou a imagem tranquilizadora de um teto, para os doentes que passam a maior parte do tempo deitados na cama.

Trata-se de "partir do princípio que esse sentimento de agradibilidade, de bem estar, é fator favorável à cura, [assim como] ajuda a curar também a questão psicológica", realçou a arquiteta.

Ana Tostões falava à agência Lusa a propósito da realização do Fórum Gulbenkian de Saúde 2015: Saúde e Arquitetura em Diálogo, na quarta-feira, sessão em que a investigadora participa para comentar a intervenção do arquiteto britânico Charles Jenks e responder à pergunta "Pode a arquitetura afetar a sua saúde?".

Caso sueco

Um novo complexo hospitalar ligado ao Instituto Karolinska, uma das melhores escolas médicas do mundo, vai redefinir os cuidados de saúde na Suécia. O projeto define o espaço físico como essencial para o bem-estar do doente, a par da eficiência médica e científica.

O especialista do Reino Unido vai apresentar os 'Maggie’s Cancer Caring Centers' (centros de cuidados para doentes de cancro) resultado do trabalho da sua mulher "para minorar os danos do processo de prolongamento de vida dirigido às crianças", como referiu Ana Tostões.

Para a investigadora do IST, está na agenda contemporânea perceber que "a questão da saúde está intimamente ligada com o bem estar, com a arquitetura e com o urbanismo" e é função destas disciplinas criar melhores lugares para as pessoas viverem, nas cidades, nos espaços urbanos, nos equipamentos públicos, nos empregos, nas habitações e "trabalhar antes que os problemas aconteçam".

"Se tivermos uma cidade mais saudável, se vivermos em lugares mais acolhedores que promovam mais bem-estar, a vida é mais fácil e muito mais saudável", realçou.

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