Fonte do Ministério da Agricultura sublinhou que "não há ovos contaminados no mercado em Portugal" e que o que lançou o alerta às autoridades europeias foi o caso de uma transação na Bélgica com ovos que estavam sinalizados e foram comprados por um cidadão português.

"Em Portugal não foram produzidos ovos contaminados nem foram detetados produtos confecionados com derivados de ovos contaminados", afirmou a fonte, explicando: "O que houve foi uma transação na Bélgica de ovos que estavam sinalizados".

Segundo a mesma fonte, explicou, desde que começaram a surgir as primeiras notícias sobre o assunto, em julho, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária foi para o terreno e, desde então, não detetou quaisquer ovos com este produto.

De acordo com a mais recente lista da Comissão Europeia, Portugal seria um dos 26 Estados-membros afetados pelo comércio ou distribuição de ovos contaminados com o pesticida tóxico fipronil. Segundo os dados mais recentes, na União Europeia só na Croácia e a Lituânia não foram ainda detetados ovos contaminados, uma crise que atinge ainda a Noruega, o Liechtenstein, a Suíça e a Rússia.

O escândalo dos ovos contaminados atinge ainda 16 países de outros continentes, incluindo Angola e Hong Kong. Na Bélgica, o primeiro país a notificar Bruxelas, a 20 de julho, 30 explorações agrícolas estão ainda encerradas, na Holanda 144, na Alemanha cinco, em França uma, em Itália dez e na Hungria duas.

Fipronil proibido pela OMS

O uso deste pesticida, um antiparasitário forte, é expressamente proibido em animais destinados ao consumo humano.

Os estudos mais recentes encomendados pela União Europeia indicam que o pesticida pode danificar o sistema nervoso central do ser humano, assim como provocar o aumento da massa hepática, danos renais e alterações na produção das hormonas formadas na gândula tiróide.

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Em ratos, um modelo animal usado frequentemente em estudos laboratoriais por ter semelhanças com o funcionamento do organismo do ser humano, a ciência mostra que este pesticida provocou a formação de tumores malignos e benignos na glândula tiróide.

Outro estudo, publicado pelo Departamento de Medicina da Universidade de Colombo, no Sri Lanka, acrescenta que a curto-prazo o fipronil provoca vómitos, convulsões e agitação, não se descartando a hipótese de epilepsia.

Reunião na Europa

A fraude que conduziu à contaminação de ovos pelo inseticida fipronil remonta a setembro de 2016, disse há uma semana a Comissão Europeia, precisando na altura que 34 países, a maioria na Europa, foram atingidos pela situação. A contaminação de dezenas de milhões de ovos, resultante da desinfestação de explorações de galinhas poedeiras por um produto contendo fipronil, um antiparasitário forte estritamente proibido na cadeia alimentar, foi divulgada em agosto.

Fonte da Comissão Europeia disse à Lusa que a situação está a ser acompanhada diariamente, nomeadamente para garantir “que as autoridades competentes nos Estados Membros estão a agir adequadamente para garantir a segurança alimentar e a restaurar a confiança dos consumidores”. Bruxelas espera ainda que “todos continuem a desempenhar o seu papel no total cumprimento das suas responsabilidades”.

O tema está hoje em discussão na reunião informal dos ministros da Agricultura da União Europeia, em Talin, na Estónia, e na qual participa o comissário europeu para a Saúde, Vytenis Andriukaitis. Para dia 26, está agendada uma reunião de alto nível em que será feito um balanço do escândalo e discutidas medidas futuras.

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