Em entrevista à Lusa, Romeo Mendes, o investigador do ISPUP responsável pelo projeto, contou que o principal objetivo do 'SWEET-Football', iniciado em setembro, é "avaliar a aplicabilidade e a segurança" daquela que é uma variante de futebol recreativo - o 'walking football'.

"Tradicionalmente o tipo de atividades que estão ao dispor desta população e as soluções que a sociedade oferece não envolvem adequadamente as pessoas, que facilmente acabam por desistir da atividade. Quando queremos promover alterações de comportamentos na comunidade têm de existir motivações intrínsecas e extrínsecas que, de facto, alterem o estilo de vida das pessoas", adiantou.

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O projeto 'SWEET-Football', desenvolvido com o apoio do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Porto Oriental da Administração Regional de Saúde do Norte, reúne cerca de 30 doentes com a diabetes tipo 2, com idades entre os 50 e 70 anos, das zonas de Paranhos e Arca d'Água, no Porto.

"Há uma maior prevalência da diabetes tipo 2 nos homens do que nas mulheres. Portanto, aproveitamos também o facto de no nosso país, o público masculino ter uma relação emocional e afetiva muito grande com o futebol, ou porque gostam do desporto, ou porque até já foram jogadores", esclareceu o investigador.

Segundo Romeu Mendes, os participantes praticam a "dose mínima de atividade" recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o tratamento desta doença, ao realizarem três treinos por semana que têm a duração de uma hora.

"A dose mínima semanal advogada pela OMS são os 150 minutos, mas o nosso projeto oferece cerca de 180 minutos por semana, usando a atividade física como se de um medicamento se tratasse. Os participantes são acompanhados por um treinador de futebol, por um fisiologista e um enfermeiro", salientou.

No entanto, apesar da atividade física ser considerada pela OMS um dos pilares de tratamento da diabetes tipo 2, que têm como fatores de risco a obesidade, o envelhecimento e a baixa aptidão física, os exercícios praticados neste projeto são "mais lentos", tendo em conta que "os riscos inerentes ao futebol poderiam colocar questões de segurança nos participantes".

"As únicas regras do 'walking football' é que ninguém corre e não há contacto físico. Quem está com a bola sabe que ninguém vai tirar-lhe e isso foi fundamental para que estas pessoas aceitassem jogar futebol, visto que sentem que estão a praticar com segurança", explicou Romeo Mendes.

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Os investigadores, que estão agora a recolher os principais resultados do projeto, vão no início do próximo ano "implementar pequenos projetos a nível nacional".

"Precisamos de envolver os centros de saúde, hospitais, clubes de futebol e municípios. Este é projeto perfeitamente possível, sem haver mobilização de verba financeira entre os centros de saúde, os recursos que já existem nos municípios e nos pequenos e médios clubes de futebol. O nosso grande objetivo para a próxima época desportiva é fazer uma expansão do 'walking football' como medicamento", acrescentou.

Apesar da diabetes tipo 2 afetar sobretudo a população masculina, os investigadores estão também à procura de uma "solução para as mulheres", que poderá não passar pelo futebol, mas por outra modalidade mais "tradicional".

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