Segundo o coordenador do FCSSS de Angola, Cruz Mateta, a constatação resulta de um levantamento feito em diferentes hospitais do país que avaliou o grau de implementação do Plano Nacional de Contingência para o Controlo da covid-19.

O responsável, que apresentou em conferência de imprensa a nota de protesto do Fórum, submetida em 06 de agosto ao gabinete da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, disse terem constatado também a “falta de medicamentos em todos os hospitais do país”.

“Verificamos a falta de medicamentos diversos, como soros, seringas, fios de sutura, anestésicos, sistemas, brânulas, sacos coletores, aventais e outros”, afirmou.

Para o também secretário-geral do Sindicato Nacional dos Enfermeiros de Angola, a falta de material de proteção nos hospitais deixa vulneráveis os profissionais de saúde e os doentes, referindo que a situação concorre para o “aumento das infeções intra-hospitalares”.

”Esta situação coloca-nos entre a espada e a parede, porque, por um lado, mesmo desprotegidos não podemos deixar de atender o doente e também o paciente fica vulnerável e daí podem surgir outros problemas”, lamentou.

Cruz Mateta, que questionou o destino do material de biossegurança adquirido pelo Governo, referiu também que grande parte dos laboratórios dos hospitais primários e secundários do país “estão inoperantes”.

Alguns estão “limitados à realização de pesquisas sobre o paludismo”, enquanto muitos, adiantou, estão equipados com meios de diagnóstico de ponta, “mas não funcionam por falta de reagentes”.

Os técnicos de saúde angolanos adiantaram também que apenas a província de Luanda realiza exames imagiológicos, acrescentando que “nenhum hospital do nível terciário possui um aparelho de ressonância magnética”.

O responsável sindical lamentou igualmente a “gritante falta de alimentação” nas unidades sanitárias do país, quer para os técnicos de saúde como para os pacientes internados.

Na nota, o FCSSS “repudia” ainda a suspensão e transferência do presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (Sinmea), Adriano Manuel, do Hospital Pediátrico de Luanda para o Ministério da Saúde, considerando a medida como “antidemocrática”.

“Apelamos aos promotores de tal ato o retorno do posto de trabalho que o mesmo vinha ocupando, sob pena de recorrermos aos mecanismos legais previstos na Constituição e demais legislação”, exortam.

O médico Adriano Manuel denunciou, em junho passado, a morte de 19 crianças no banco de urgência do Hospital Pediátrico de Luanda, onde exercia a função de chefe de controlo de infeções hospitalares, facto que lhe custou a suspensão no mês passado.

Angola, que vive desde 26 de maio situação de calamidade pública, conta com 1.679 casos positivos de covid-19, sendo 1.032 ativos, 569 recuperados e 78 óbitos.

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