HealthNews (HN)- A Sociedade Portuguesa de Diabetologia realiza o seu 20º congresso nos dias 7,8 e 9 de março. Qual a importância deste congresso, tendo em conta que este ano comemoram 30 anos de eventos científicos?

Estevão Pape (EP)- Este ano realizamos o 20º Congresso Português de Diabetes, como diz e bem, 30 anos depois do primeiro realizado no Porto. Embora nas últimas três décadas tenham nascido muitas alternativas de enfretar a diabetes, algumas preocupações mantêm-se relativamente à doença. Portanto, este evento vai permitir o encontro de médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e investigadores. Estes profissionais vão poder refletir e apresentar, de forma coletiva, novidades nesta área.

HN- O primeiro congresso, em 1994, teve como lema o estudo e o conhecimento da diabetes mellitus. Passados 30 anos, esta doença mantém-se como uma doença altamente prevalente. De forma mais detalhada, o que destacaria sobre a evolução que tem havido no tratamento da doença?

EP- De facto, o lema do primeiro congresso poder-se-ia manter. No entanto, é preciso reconhecer que muita coisa mudou, como é o caso do encarar farmacológico da diabetes, o qual deu um salto qualitativo e quantitativo gigante. Hoje em dia, temos medicamentos mais diferenciados e mais dirigidos. Dispomos de novas insulinas e tecnologias que na altura não existiam. Por outro lado, há um novo olhar para a pré-diabetes e para a obesidade e excesso de peso no contexto da diabetes. A ligação e cruzamento da diabetes com outras patologias é melhor conhecida.

HN- Mas apesar desta evolução não temos conseguido estancar o aparecimento da doença…

EP- Ainda não tem sido possível prevenir de forma eficaz a diabetes. Esta doença continua a crescer.

HN- As atuais preocupações dos especialistas são mais a nível da prevenção?

EP- É a nível preventivo e organizativo. Embora exista um Programa Nacional de Controlo da Diabetes, não é suficiente para fazer face a esta doença. Apesar dos esforços que a própria Sociedade Portuguesa de Diabetologia tem feito, em que apresentamos todos os anos um relatório sobre a diabetes, a mensagem não tem sido forte o suficiente.

HN- Como descreve o panorama da doença a nível nacional?

EP- Em Portugal, existe uma elevada prevalência, em que mais de um milhão de pessoas sofre desta patologia e mais de meio milhão tem e não sabe. Apesar de todo o combate que temos feito em todos os locais onde a diabetes é tratada não tem sido suficiente. De qualquer modo, podemos sublinhar o esforço organizativo que tem sido feito no que toca à diabetes tipo 1, com o disponibilização das bombas de insulina a todos os doentes.

HN- E no que toca à diabetes tipo 2?

EP- É preciso perceber que este é o grande problema. O Programa Nacional de Controlo da Diabetes tem de encarar a diabetes tipo 2 de forma diferente.

HN- Voltando ao evento que vai ser realizado em março, quais os principais temas em destaque?

EP- No evento queremos debater a política europeia da diabetes, o papel e o lugar das sociedades científicas, o avanço tecnológico e científico que tem sido feito nos últimos anos. Todos os profissionais de saúde, ligados à diabetes, vão poder apresentar as suas ideias, o seu trabalho e a sua investigação.

HN- Quais as vossas expectativas relativamente aos resultados deste encontro?

EP- As nossas expectativas são sempre muito positivas. O 20º congresso é o encontro de todos os especialistas que se dedicam a esta área.

HN- Uma nota final.

EP- Deixo um apelo para que os profissionais de saúde venham ao 20º Congresso Português de Diabetes. Este encontro vai permitir a troca de experiências e conhecimento.

Entrevista de Vaishaly Camões

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