Os dados constam do Relatório da Primavera 2019 do Observatório dos Sistemas de Saúde que é hoje apresentado e que aponta para um “ligeiro aumento” da despesa com medicamentos nos anos mais recentes.

O ligeiro crescimento com a despesa do Serviço Nacional de Saúde com medicamentos, sobretudo nos últimos dois anos, pode ser em parte explicado com as novas moléculas comparticipadas em regime de ambulatório.

O relatório especifica alguns casos de medicamentos comparticipados que mais contribuíram para o crescimento da despesa do SNS, como os anticoagulantes orais (para doenças cerebrocardiovasculares) ou os fármacos para a cessação tabágica.

No caso dos novos anticoagulantes orais, que são comparticipados a 69% e não têm genéricos, representaram mais 20 milhões de euros de despesa em 2017 e novamente mais 20 milhões em 2018.

Quanto ao medicamento para a cessação tabágica, que começou a ser comparticipado em 2017, representou em 2018 um acréscimo de 1,2 milhões na despesa do SNS.

O Relatório da Primavera assinala ainda que a taxa média de comparticipação do SNS “continuou a crescer” e atingiu em 2018 o valor mais elevado dos últimos seis anos.

O Observatório realizou também uma análise às assimetrias geográficas na despesa com medicamentos.

Em termos genéricos, há um menor consumo de fármacos e um menor gasto no distrito do Porto, enquanto há um maior consumo registado em municípios da região Centro.

Figueira da Foz, Mealhada, Penacova, Vila Nova de Poiares, Mortágua, a zona de Figueiró dos Vinhos e de Pedrógão Grande e Abrantes são as zonas geográficas que apresentam maior consumo de medicamentos per capita.

No extremo oposto surgem Maia, Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Felgueiras, Paredes, Penafiel e Valongo (todos no distrito do Porto), bem como Vila Verde e Loures.

Esta análise identificou “importantes assimetrias na despesa dos medicamentos”, apesar de ter usado variáveis que reduzem o efeito das diferentes faixas etárias, até porque foram usados seis grupos de fármacos com diferentes associações entre consumo e proporção de idosos.

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