A necessidade dos cuidadores de crianças com cancro “cuidarem de si sem sentimentos de culpa” será um dos temas em análise no 5.º Seminário de Oncologia Pediátrica, que se realiza no sábado no IPO-Porto.

“O foco não é tanto a questão das obrigações do Estado para com o cuidador, mas a importância do cuidar de si”, disse a diretora-geral da Fundação Rui Osório de Castro (FROC), que organiza o encontro.

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Em declarações à Lusa, Cristina Potier sublinhou que “um pai ou uma mãe com uma criança doente esquece-se, na grande maioria das vezes, de si próprio e é preciso que entendam a importância do seu bem-estar para melhor poderem apoiar o seu filho”.

“A questão é que em 90% dos casos abdica-se de tudo, daí a necessidade de entenderem que pararem um bocadinho é mesmo importante, não podem ter ‘guilty feelings’ [sentimentos de culpa], não se podem sentir culpados”, acrescentou.

Cristina Potier explicou que de ano para ano, a escolha dos temas tem em conta o ‘feedback’ recolhido durante estes seminários e os contactos que a FROC vai recebendo.

“Pontualmente somos contactados por pais, com questões sobretudo ligadas a possíveis causas, tratamentos e apoios existentes. Mas recebemos também muitos desabafos, onde o desespero e impotência é muitas vezes sentido”, afirmou a diretora-geral da FROC, que considera, por isso, fundamental organizar este tipo de eventos pelo país.

As três primeiras edições deste seminário realizaram-se em Lisboa, em 2018 em Coimbra e agora no Porto.

“Queremos desta forma dar oportunidade às famílias de outras zonas do país de participarem neste seminário, procurando em cada um dos painéis ter profissionais que esclareçam e também testemunhos de quem, por experiência, sabe do que fala”, referiu.

Para Cristina Potier, “este é um momento em que realmente se compreende o que preocupa os familiares destas crianças, sendo um evento dirigido sobretudo a estes, mas também aberto a todos os que acompanham ou acompanharam esta realidade no seu dia a dia – sobreviventes e suas famílias, voluntários, estudantes e profissionais de oncologia pediátrica”.

Neste 5.º seminário serão ainda debatidos os mitos e verdades associados à alimentação e ao cancro, em especial quando se trata de uma criança, a escola inclusiva e a investigação em oncologia pediátrica.

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No que se refere à investigação em oncologia pediátrica, a responsável disse que “a preocupação dos pais é garantir que, de facto, o tratamento que o médico prescreveu é o melhor para o seu filho. Se existe investigação não é para a maioria uma prioridade”.

Neste âmbito, Cristina Potier tranquiliza os pais considerando que, “em Portugal, existem tratamentos de excelência e que se porventura o médico considerar que existe um tratamento mais adequado para a criança fora do país, esta será encaminhada”.

No decorrer do seminário, será ainda entregue o prémio no valor de 15 mil euros ao vencedor da 3.ª edição do Prémio Rui Osório de Castro/Millennium BCP, que apoia projetos que promovam a melhoria dos cuidados prestados a crianças com doença oncológica.

A vencedora desta edição foi Ana Catarina Cordeiro, do Serviço de Oncologia do Hospital Pediátrico de Coimbra, com o projeto “Interleucina 6 (il-6) e interleucina 8 (il-8) como preditores de infeção bacteriana em doentes oncológicos pediátricos com neutropenia febril”.

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