“Não há a necessidade de introduzir a simulação como disciplina, mas há a necessidade de introduzir este instrumento em todas as unidades curriculares, ou quase todas, para que haja uma aprendizagem de competências, quer técnicas como de comportamento”, afirmou Maria Amélia Ferreira à Lusa, a propósito do III Congresso da Sociedade Portuguesa de Simulação Aplicada às Ciências da saúde, que decorrerá esta semana no Porto.

Para a responsável, com a simulação, os estudantes são colocados perante situações práticas, tendo a possibilidade de treinar a aquisição de determinada competência.

“Esta possibilidade faz com que seja possível admitir o erro e corrigi-lo, e ao mesmo tempo não causar incómodo nem riscos para os doentes, nem para os próprios estudantes”, sustentou.

Maria Amélia Ferreira afirmou que “os profissionais de saúde não se podem confrontar pela primeira vez com situações que possam ser exercitadas ou treinadas antes em cenários”.

“Temos de algum modo, alguma vez, que lhes dar a possibilidade de se poderem confrontar com situações que terão que ser resolvidas, mesmo sendo raras e mesmo sendo feitas às vezes em contextos adversos”, disse, acrescentando que “esta obrigatoriedade é tanto mais importante quanto é obrigatório ao piloto de avião fazer o seu treino de simulação”.

Aprender a reanimar um recém-nascido

Maria Amélia entende que há competências que devem ser ensinadas, aprendidas e avaliadas em meio controlado e seguro, através da simulação, por exemplo o saber dar uma má notícia da morte de um familiar ou o saber reanimar um recém-nascido.

“Eu não posso esperar que haja necessidade de fazer uma reanimação neonatal a 350 recém-nascidos para os meus 350 alunos poderem treinar, mas eles têm de saber fazer isto”, sustentou.

A responsável apontou a simulação como sendo também importantíssima para o “treino de equipas multidisciplinares”.

“A simulação tem hoje um âmbito muito ético, científico e muito aplicado às ciências de saúde”, disse, “e o preço que custa um centro de simulação biomédica é pago muito rapidamente pelo benefício e pela segurança que a população virá a ter das competências dadas aos profissionais” naquele espaço.

A diretora da FMUP referiu que “ainda há uma percentagem significativa de profissionais de saúde que continuam a achar que os centros de simulação biomédica são locais em que há uns bonecos e onde se treinam algumas técnicas”, contudo, estes espaços são “muito mais do que isso”.

Na sua opinião, a simulação deve ser obrigatória na formação pré-graduada dos profissionais de saúde, mas também “nos colégios de especialidade”.

A simulação existe na ginecologia/obstetrícia e na anestesiologia, por exemplo, mas “deveria ser alargada, porque certificava os profissionais que estão a ser formados, na medida em que já teriam tido contacto com situações que terão que resolver, mesmo não as tendo vivenciado do ponto de vista prático”.

O "Impacto da simulação na melhoria dos cuidados de saúde" é um dos temas a abordar na sexta-feira no âmbito do Congresso, que terá lugar no auditório do Centro de Investigação Médica da FMUP.

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