A Rússia registou mais de 930.000 casos de VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana), dos quais cerca de 192.000 foram mortais, indicou Vadim Pokrovsky, diretor do Centro Estatal de Sida da Rússia.

Pokrovsky afirmou estimar que esses números ascendam a cerca de um milhão até ao final deste ano ou início de 2016 e que haja cerca de dois milhões portadores de VIH registados e cerca de três milhões de russos com VIH, no total, dentro de quatro ou cinco anos, se não forem tomadas medidas drásticas para deter a propagação do vírus.

“Pensamos que os números vão duplicar”, disse Pokrovsky, numa entrevista concedida à agência de notícias francesa, AFP.

“Isso significa que as medidas que estão a ser adotadas agora são ineficazes”, frisou, argumentando que mesmo que o Governo tome medidas drásticas para controlar a epidemia agora, os níveis de VIH continuarão a subir nos próximos dois ou três anos “por inércia”.

O vírus mortal está a atingir cidadãos russos no seu auge.

“Trata-se de uma infeção que afeta pessoas com idades entre os 25 e os 35 anos. Morrem quando têm à volta de 35 anos”, observou o especialista.

“É uma grande causa de morte dos russos, dos jovens russos”, acrescentou.

Crê-se que mais de 60% dos infetados consumiram drogas pelo menos uma vez.

Mas Pokrovsky apontou as relações sexuais heterossexuais como aquela que parece ser a causa mais comum de transmissão do VIH na Rússia, traçando um paralelo com África, o epicentro da epidemia de VIH/sida.

Na Rússia, a prevalência de VIH entre os adultos é de cerca de 1%.

Alguns dos pontos mais afetados do país incluem a cidade de Tolyatti, banhada pelo rio Volga, com uma prevalência de 3%, e a região de Irkutsk, na Sibéria, com 1,5%, referiu o especialista.

Desde o início da epidemia mundial, cerca de 78 milhões de pessoas foram infetadas pelo VIH, que destrói o sistema imunitário e deixa o organismo exposto a tuberculose, pneumonia e outras doenças oportunistas.

Trinta e nove milhões de pessoas morreram até agora com a doença, de acordo com números da ONU.

Os medicamentos antirretrovirais, inventados em meados da década de 1990, conseguem controlar a infeção, mas não curá-la ou impedi-la.