Numa nota à comunicação social, seis sindicatos justificam o anúncio de "formas de luta" com o argumento de que o Ministério da Saúde "não cumpre compromisso, não envia contraproposta de carreira de enfermagem".

Segundo os sindicatos, o prazo para o envio dessa contraproposta terminou em 15 de agosto.

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A reunião entre os sindicatos, que seria para analisar a contraproposta do Governo, servirá para concertar as novas formas de luta a anunciar em conferência de imprensa após a reunião, disse à Lusa Guadalupe Simões, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), remetendo mais pormenores para a conferência de imprensa.

Novas greves e manifestações?

No início do mês, o presidente do SEP, José Carlos Martins, admitiu à Lusa novas greves e manifestações caso falhassem as negociações com o Governo.

Além do SEP, convocaram a conferência de imprensa o Sindicato dos Enfermeiros, o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem, o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal, a Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros e o Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira.

Após a conferência de imprensa, representantes das seis estruturas reúnem-se com a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, sobre as negociações da carreira.

À Lusa, a bastonária disse que a Ordem "apoia as formas de luta que forem legais e legítimas", lembrando a necessidade da definição da "estrutura de carreira" de enfermagem, uma profissão de "desgaste físico, psíquico e emocional rápido".

Bruno Reis, porta-voz do Movimento dos Enfermeiros Especialistas, que não participa nas negociações, assinalou que se chegou a um "ponto de rutura".

"Os enfermeiros estão cansados, sentem-se gozados pelo poder político, têm direito a uma profissão digna e valorizada", afirmou à Lusa, queixando-se das "sucessivas reuniões", que, enfatizou, se perpetuam há mais de um ano.

Bruno Reis contou casos de enfermeiros que desistiram da profissão e "abriram um negócio próprio" na área da restauração.

José Correia Azevedo, presidente da Fense - Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermagem (que agrega o Sindicato dos Enfermeiros e o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem) chama 'calvário' à negociação da carreira.

A Fense, que volta a reunir-se hoje com a comissão negocial do Ministério da Saúde, esteve na origem da greve geral de 13 a 17 de agosto, por causa do "impasse na negociação" do acordo coletivo de trabalho. Os enfermeiros pretendem que seja criada uma carreira especial de enfermagem, que integre a categoria de enfermeiro especialista, e exigem o descongelamento da carreira.

Este mês têm decorrido greves regionais em várias unidades de saúde em defesa da progressão da carreira, mas convocadas pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Para hoje estão marcadas paralisações no Centro Hospitalar Cova da Beira e no Hospital Distrital da Figueira da Foz.

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