Desde a semana passada, a península viu disparar o número de contaminações, tornando-o o país europeu mais afetado. Esta quarta-feira, o balanço chegou aos 374 casos, incluindo 12 mortos: a grande maioria (271) na Lombardia, região da capital económica de Milão, seguida de Veneto (71).

Apenas estas duas regiões representam cerca de 30% do PIB italiano.

Enquanto o governo adotou medidas drásticas, incluindo a quarentena de 11 cidades do norte, e o medo de contágio é grande, as empresas tiveram de se adaptar rapidamente.

"Elas têm duas preocupações: a saúde dos seus funcionários e a evolução das suas atividades, com as dificuldades de locomoção dos seus empregados e o medo de uma queda na produção", explicou à AFP Alessia Forte, presidente da consultoria Forte Secur Group.

"Para analisar adequadamente os riscos e garantir a sua redução, aconselhamos os nossos clientes a montarem mesas-redondas de crise, com todos os principais interlocutores: médicos, seguranças, RH, produção, logística", apontou.

Muitas empresas optaram por trabalhar remotamente em áreas afetadas, ou próximas, como o grupo petrolífero Eni, a gigante energética Enel, a empresa de artigos de couro de luxo Tod's, ou UniCredit.

Deslocações suspensas

A sede deste grande banco em Milão, uma grande torre onde normalmente trabalham 4.000 pessoas, está quase vazia.

Mas, sublinha um porta-voz à AFP, "isso não tem impacto na operação do banco. Fazemos 'smartworking' desde 2013, um dia por semana".

"Na nossa empresa e com os nossos clientes, a implementação do trabalho remoto foi realizada muito rapidamente e correu muito bem, com os funcionários muito disponíveis. Isto graças à transformação digital ocorrida nos últimos dois anos", observa Paul Renda, do grupo de consultores Miller, cuja sede fica perto de Lodi, epicentro da epidemia.

Em algumas fábricas, ou empresas (UniCredit, grupos telefónicos, logística etc.), é realizado um controle de temperatura na entrada. Acima de uma certa temperatura (entre 37,2ºC e 37,5ºC, dependendo do grupo), a pessoa - fornecedor ou funcionário - não pode entrar.

É o caso da fabricante de torneiras Rubinetterie Bresciane (500 funcionários), sediada na Lombardia, que tomou uma série de medidas.

"Fechamos a nossa área comum e na cantina as pessoas não podem comer frente a frente. As deslocações de funcionários também estão proibidas, a menos que expressamente autorizados pela gerência. Isso levou ao desenvolvimento da videoconferência", disse o seu CEO, Aldo Bonomi, à AFP.

A gigante aeronáutica Leonardo também suspendeu as deslocações nacionais e internacionais dos seus funcionários, enquanto a Enel e a Unicredit permitem apenas viagens consideradas essenciais.

Entre outras medidas adotadas em algumas empresas, está o uso de máscaras nos controles de segurança, explica Forte.

A Armani, que já havia decidido desfilar sem público durante a Semana da Moda de Milão, fez uma escolha ainda mais radical, fechando as suas oficinas de produção no norte durante a semana.

Apesar da reação rápida, algumas empresas continuam preocupadas, porque a epidemia deve levar a uma recessão em Itália no primeiro semestre.

Várias grandes feiras, como o Mido, um evento internacional de óculos, ou a Feira de Móveis e Design, foram adiadas.

Há também o impacto da psicose. "No nível internacional, a questão é vivenciada com muita força. Nas relações com interlocutores estrangeiros, começam a surgir problemas concretos, com menos pedidos, ou reuniões canceladas no exterior", por medo de contágio, diz Renda.

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