“Só quando vim para o Porto é que consegui ter a perceção de como as coisas devem ser feitas” afirmou Énia Custódio, docente de medicina dentária na Universidade Lúrio (UniLúrio), em Nampula, para quem em Moçambique é “preciso inovar e rentabilizar” recursos.

Para a docente, Moçambique não vai conseguir “chegar ao ponto da Europa, porque esta evolui muito rápido”, mas acredita numa melhoria do sistema que ainda “precisa do básico” e de laboratórios “condignos”.

Os estágios, promovidos pela ‘Health4Moz’, têm como objetivo permitir que docentes e alunos de faculdades moçambicanas “contactem com outra realidade, abrindo mentes e criando canais de ligação” para que consigam aplicar os conhecimentos adquiridos no país de origem, disse à Lusa a responsável Carla Rêgo.

A organização não-governamental, fundada em maio de 2013, conta já com nove missões de intercâmbio que foram apenas estendidas a docentes da UniLúrio, tendo a presidente da associação garantido que a hipótese de alunos participarem nesta atividade “não está excluída”.

Carla Rêgo sublinhou que “a qualificação técnica e científica dos alunos [da Universidade de Nampula], futuros profissionais de saúde, é má porque tem uma carência brutal em docentes e em qualidade de material científico para ensino e não tem uma grande conexão com as instituições de saúde ao ponto de permitir uma boa prática.”

Os programas de intercâmbio têm a duração de dois meses e, segundo a presidente da ‘Health4Moz’, “é pouco tempo para que haja adaptação e assimilação do conhecimento e para que, depois, haja a sedimentação do mesmo”, uma vez que “o acesso à informação e à tecnologia é praticamente inexistente” em Moçambique.

“Fiz este estágio para aprender novas práticas que não pude ter durante a minha formação básica e contribuir para a docência na minha faculdade, tanto nas aulas teóricas como nas aulas práticas, explicou Adérito Manuel dos Anjos, docente de medicina dentária.

O projeto, que visa a redução da mortalidade e desnutrição da população moçambicana a longo termo, pretende capacitar cientificamente os docentes, mas, segundo Carla Rêgo, “não adianta ensinar uma técnica quando depois eles não são capazes de aplicar no terreno porque não têm material”, precisando do “apoio de outras entidades”, como sugere Bijal Lacman, docente de medicina da UniLúrio que também integra a iniciativa.

A participação do grupo de cinco docentes no programa, que envolveu os hospitais de São João e Centro Hospitalar do Porto e as faculdades de Medicina Dentária e Farmácia entre os meses de janeiro e março, foi financiada pelo Ministério da Saúde moçambicano.

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