Em comunicado, a DGS diz que esta recomendação surge na sequência da posição da Comissão Técnica de Vacinação contra a covid-19 (CTVC), que considerou, com base nos dados disponíveis, que a avaliação risco-benefício, numa perspetiva individual e de saúde pública, é favorável à vacinação das crianças desta faixa etária.

Segundo o departamento liderado por Graça Freitas, as crianças desta faixa receberão a vacina Comirnaty, da farmacêutica Pfizer, que tem parecer positivo da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para ser administrada neste grupo etário.

“O número de novos casos de covid-19 em crianças tem vindo a aumentar. A doença nestas faixas etárias é geralmente ligeira, mas existem formas graves de covid-19 em crianças”, adianta ainda a DGS.

De acordo com o comunicado, o risco de hospitalização é maior em crianças com doenças de risco, contudo, muitos dos internamentos ocorrem em crianças sem doenças de risco.

“Para esta posição foram considerados os contributos de um grupo de especialistas em pediatria e saúde infantil, bem como de membros consultivos da CTVC”, refere a DGS.

Na sexta-feira, a DGS e o Núcleo de Coordenação de Apoio ao Ministério da Saúde prestarão esclarecimentos técnicos adicionais e sobre o calendário de vacinação e respetiva logística em conferência de imprensa.

A incidência de infeções do coronavírus em crianças com menos de 10 anos está a crescer desde o final de outubro, sendo a faixa etária que apresentou um valor mais elevado na última semana.

Segundo a última análise de risco da pandemia das autoridades de saúde, divulgada na sexta-feira, o grupo etário com incidência cumulativa a 14 dias mais elevada correspondeu às crianças entre os zero e os 10 anos, que ainda não eram elegíveis para vacinação contra a covid-19, com 597 casos por 100 mil habitantes.

Portugal deve receber as primeiras 300 mil vacinas com características pediátricas contra a covid-19, do consórcio farmacêutico BioNTech/Pfizer, em 13 de dezembro, anunciou na segunda-feira o secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

“Vão chegar cerca de 300 mil vacinas no dia 13 de dezembro e, depois, durante o mês de janeiro, chegarão mais 400 mil vacinas, o que, para esta população, será suficiente”, disse António Lacerda Sales em Constância (Santarém), tendo feito notar que esta é uma “vacinação diferente porque é por unidose, de 10 microgramas, cerca de um terço da dose de um adulto”.

Em 25 de novembro, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, o primeiro-ministro, António Costa, adiantou que o Governo já tem o fornecimento de vacinas pediátricas contratualizado com a farmacêutica Pfizer e que garante a cobertura das mais de 637 mil crianças nesta faixa etária.

O que dizem os peritos?

A Direção-Geral da Saúde (DGS) recebeu no início do mês a posição do grupo de peritos em pediatria e saúde infantil por causa da vacinação contra a COVID-19 em crianças. Entre estes documentos estava a informação técnica que Centro Europeu de Doenças (ECDC) emitiu no passado dia 01 de dezembro, em que apoia a vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos, conforme aprovado pelo regulador da União Europeia (UE), sugerindo que as correm risco integrem grupos prioritários.

O ECDC conclui que “as crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 11 anos que correm risco grave de covid-19 devem ser consideradas um grupo prioritário para a vacinação, tal como em outros grupos etários”.

No mês passado, a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) divulgou uma informação no seu ‘site’ considerando que as vacinas contra a COVID-19 são seguras no grupo etário dos 5 aos 11 anos, mas defendendo que a decisão de vacinar ou não nestas idades tenha em conta outros dados, como a prevalência da infeção nas crianças. “A vacinação contra SARS-CoV-2 foi avaliada num ensaio clínico em crianças dos 5 aos 11 anos de idade, no qual foram vacinadas 1.517 crianças. Os resultados mostraram que é segura e eficaz contra a covid-19, tal como noutros grupos etários”, considerou a SPP.

No mesmo documento, a SPP lembrava que, nas crianças, a covid-19 “é habitualmente uma doença assintomática ou ligeira e, felizmente, continuam a ser raros os casos graves que obrigam a internamento ou admissão em unidades de cuidados intensivos”.

Sublinhando que as crianças "têm sido fortemente prejudicadas na pandemia devido aos confinamentos sucessivos, que afetam seriamente a sua aprendizagem e saúde mental e aumentam o risco de pobreza e de maus-tratos”, a SPP defende que, provada a segurança e eficácia da vacina, "poderá ser considerada a sua aplicação neste grupo etário, se isso permitir trazer normalidade à vida das crianças".

A vacinação nesta faixa etária continua a dividir as opiniões médicas e científicas, com alguns profissionais, entre os quais o presidente do Colégio da Especialidade de Pediatria da Ordem dos Médicos, que considera que “ainda não há evidência (prova) que justifique”.

Veja o vídeo

Vacinas com ARN mensageiro: como é que atuam no organismo?

Pandemia alastra em todas as faixas etárias

Portugal registou nas últimas 24 horas mais 3.417 casos de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2 e 21 mortes atribuídas à covid-19, registando-se uma ligeira redução dos internamentos, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS). Segundo o boletim diário da DGS, estão internadas 936 pessoas, menos 12 do que no dia anterior, das quais 133 em unidades de cuidados intensivos, menos duas nas últimas 24 horas.

A maior parte dos novos casos de infeção foi diagnosticada na região Norte (1.094), seguida de Lisboa e Vale do Tejo (1.036), do Centro (799), do Algarve (272) e do Alentejo (74).

Das 21 mortes, sete ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo, seis no Norte, quatro no Algarve, uma no Centro e três na Madeira. Por faixas etárias, 13 pessoas que morreram tinham mais de 80 anos, seis entre 70 e 79 anos e duas entre 60 e 69 anos. O maior número de óbitos continua a concentrar-se entre os idosos com mais de 80 anos (12.093 do total de 18.572 mortos por covid-19 em Portugal desde o início da pandemia), seguindo-se as faixas etárias entre os 70 e os 79 anos (3.998) e entre os 60 e os 69 anos (1.694).

Há agora 60.584 casos ativos de COVID-19 (menos 1.573 do que na segunda-feira) e recuperaram da doença 4.969 pessoas, o que aumenta o total nacional de recuperados para 1.093.264. Em relação a segunda-feira, as autoridades de saúde têm mais 2.255 contactos em vigilância, totalizando 79.538.

Dos novos casos, 591 foram diagnosticados em pessoas entre os 40 e 49 anos, 521 entre os 30 e 39 anos, 491 entre 20 e os 29 anos, 439 entre 50 e os 59 anos, 400 entre os zero e os nove anos, 384 entre os 60 e 69 anos, 333 entre os 10 e os 19 anos, 200 entre os 70 e 79 anos e 58 entre os idosos com mais de 80 anos.

A região de Lisboa e Vale do Tejo registou desde o início da pandemia 448.157 casos e 7.862 mortes. Na região Norte registaram-se 439.513 infeções e 5.674 óbitos desde o início da pandemia. A região Centro tem agora um total acumulado de 165.626 infeções e 3.276 mortes. O Algarve acumula 50.369 contágios e 535 óbitos e o Alentejo soma 43.083 contágios e 1.066 mortos por covid-19 desde março de 2020. A Região Autónoma da Madeira contabilizou, nas últimas 24 horas, segundo a DGS, 115 novos casos, somando 15.381 infeções e 115 mortes, e os Açores 27 novos casos, totalizando 10.291 contágios e 49 mortes.

As autoridades regionais dos Açores e da Madeira divulgam diariamente os seus dados, que podem não coincidir com a informação divulgada no boletim da DGS.

O novo coronavírus já infetou em Portugal pelo menos 1.172.420 pessoas - 624.948 mulheres e 545.659 homens -, indicam os dados da DGS, segundo os quais há 813 casos de sexo desconhecido, que se encontram sob investigação, uma vez que esta informação não é fornecida de forma automática.

Entre as 18.572 pessoas que morreram com covid-19 em Portugal desde o início da pandemia, 9.731 eram homens e 8.841 eram mulheres.

A COVID-19 provocou pelo menos 5.261.473 mortes em todo o mundo, entre mais de 265,80 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários países.

Uma nova variante, a Ómicron, classificada como “preocupante” pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi detetada na África Austral, mas desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta, a 24 de novembro, foram notificadas infeções em cerca de 30 países de todos os continentes, incluindo Portugal.

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